Metáforas de amor



Estou procurando uma explicação. Alguém que esclarecesse esse mar de amar que inundou meu coração, pois já não tenho palavras pra expressá-lo. Naufraguei em teu peito e lá fiquei. Não tem quem me tire desse ecstasy em que você me deixou; dopada de você e com sede de mais. Estou rebobinando a fita cassete pra ver seu sorriso de novo enquanto você não está aqui. E aquele momento que durou mais de um segundo, que dura até hoje em mim é segredo profundo no meu peito, embora seja manchete do meu sorriso.

Nunca fui serena e mesmo assim me fazes mulher quando me olhas. Não sou merecedora de teu calor, mas você me tirou do frio. Não há no que se falar, se não amor, ou não sei listar todas as circunstâncias que a vida criou antes de nos olharmos olho no olho, alma na alma. E tudo o que eu tente falar só sai na língua entre os beijos que fazemos questão de dar. E se deixar. Em suma, sim, eu me deixei em ti. Não vou negar porque já está claro que no escuro me entreguei por completo.

Te deixei envolver-me com teus braços e você espetou em mim toda a paixão que eu esqueci de sentir nas noites passadas. E agora está tudo alagado; jorra teu amor e o meu amor por ti. E depois de morrer afogada em você, eu prometi que viverei pra te fazer feliz. E este é o meu desejo mais profundo (já que os superficiais você há de me saciar): quero que você seja feliz até o fim da sua vida. E por todos os dias que eu puder ou não puder, quero estar ao seu lado pra te lembrar de sorrir mais uma vez. Afinal, é isto que lembro quando olho pra você: a vida sorriu pra mim desde que você apareceu.

Você, meu amor


Você, por tão pouco, se tornou muito. E eu falo isso de coração; ele se alegra ao te ver. Eu te amo e quero que grave isso em você. Também que me deixe repetir todos os dias, pois é a primeira coisa que penso quando acordo: eu te amo. E quero te amar por mais amanhã e por todas as manhãs que Deus me permitir viver.

Depois que você apareceu, mora em mim (além de você) essa vontade insana de te fazer feliz. É irreal. Dentre tantas outras coisas que eu sou quando estou com você (a mulher mais linda do mundo, a ganhadora da mega da virada, a cantora com a voz mais doce - e Marília de Dirceu), eu sou melhor. Você me faz querer ser melhor e isso é uma das coisas que eu mais gosto em você. Você é tão maravilhoso que merece um alguém tão além de mim, mas ao mesmo tempo eu não deixaria você ir, então eu preciso - tentar - ser esse alguém. Você me faz querer ser uma pessoa melhor. E, isso poderia bastar pra mim.

Mas você é mais. Você ainda é mais. Eu estou apaixonada por você, eu sou apaixonada por você, eu sou sua. Faça o que quiser. Mas dentre todas as possibilidades, escolha me amar de volta. Escolha dar voltas no meu corpo com seus braços. Escolha a simples versão de mim, que juro que é honesta em cada segundo que passa com você, inclusive nos minutos que gastou pra escrever essas minúcias.

Eu te amo. E não quero deixar de te lembrar isso nem mesmo um dia, ainda que você já esteja lembrado.

Desculpe se isso parece mundano, às vezes expressar sentimentos me soa passageiro. Isso jamais constituirá prova em processo por dano afetivo. Traduzindo: por conta dessas palavras, você não vai poder pedir um pouquinho mais de amor.

No entanto, minhas palavras são como fotografias de dentro de mim. São a infinitude de um momento que dura apenas um segundo. Então, se um dia, você bater à porta do meu coração pra mendigar amor, apele através do seu sorriso. Não me mostre palavras porque elas são fúnebres, mas queria me contagiar com seu calor, com seu olhar.

Mas já deixo como um aviso: tenho estoque de amor por você pra uma vida inteira. Então, já te fique sob advertência: você não vai se livrar de mim. Se você me amar de volta, serei a sua amante. Se não mais me quiser, serei a ex que vai te perturbar a vida inteira. Mas de uma forma ou de outra, vou te amar.

Perceba-se


Quando eu era adolescente, eu tinha problemas de autoestima. Eu me achava feia, era gordinha e tímida, então tinha dificuldade de fazer amigos. Hoje eu sou uma outra pessoa. Tenho consciência de quem eu sou, dos meus defeitos, qualidades e do meu valor. Claro que esse processo de aceitação não foi de uma hora pra outra, levou um tempo, mas tudo começou a partir do momento que eu deixei de lado a preocupação com a percepção que as pessoas tinham de mim, e passei a buscar descobrir quem eu sou e o que eu quero ser.

Nós somos seres incríveis porque temos essa capacidade de se perceber. Sendo assim, saímos em busca de nos encontrar dentro do nosso ser. Se procurar, na verdade, é uma ousadia. Nesta busca, vamos encontrar muitas coisas boas sobre nós, mas também muitas coisas que precisamos estar preparados para perceber. Então, foi a partir dessa processo de se perguntar "quem sou eu" que eu me percebi, e assim, descobri muitas qualidades. Eu vi que não era formada só de defeitos e que eu podia me transformar, portanto que a razão da mudança seja eu mesma.

Há pouco tempo, eu percebi que ainda havia alguma coisa no caminho da minha completa aceitação. Eu estava lidando com expectativas que não eram minhas. Desse jeito, a preocupação em se agradar acaba ficando em segundo plano, e desagradados, a frustração começa a fazer parte do nosso coração. Então, me desprendi disso também. Passei a buscar o que é certo pra mim, mesmo que seja errado para outro alguém. Me libertei dessa pressão de ser alguém que agrada; me libertei de tudo na verdade. Vivo, agora, pra me amar e me curtir do jeitinho que eu sou. E aos poucos vou me transformando não pra ser alguém que as pessoas esperam, mas pra mim mesma. Vou ser o melhor pra mim.

Então, fica neste começo de ano um conselho:

Viva de acordo com suas próprias expectativas. Faça o que é certo pra você. Seja feliz sendo quem você é. Aceite cada detalhe em você porque até mesmo aqueles que você não gosta é preciso aceitar para transformar. Seja mais você e a vida se tornará mais pra você.

Ele tem olhos verdes


Me conte uma história, distraia minha cabeça, me faça pensar em qualquer coisa que não seja as quatro paredes da minha vida. Pode sorrir mais porque seu sorriso é tão bonito que me faz bem. Ele me faz lembrar todas as vezes que eu fechei os olhos e fiquei imaginando você. Nunca foi real, mas era bom pensar nos seus olhos claros e seu jeito independente de sentir o mundo.

Eu lembro do seu cheiro mesmo quando você não está aqui. Isso é uma contradição da vida, porque às vezes eu tento te esquecer logo. Você fica fazendo jogo e eu fazendo um cais dentro de mim. Diz logo que me quer ou não. Ou se te sirvo apenas para as horas vagas. Mas me contento dessa forma porque meu passa-tempo tem sido decretar falsos beijos em você. Seus lábios são tão vermelhos que me dão arrepio. Eu desenharia eles na minha boca, no meu queixo e no meu corpo.

Enquanto meu mundo se faz em você, tudo o que fazes é me olhar com esses olhos claros, verdes como uma esmeralda que brilha, seduz, mas não se deixa ser consumida. E ficas falando mais uma de suas histórias - embora a meu pedido - que nunca se repetem e me deixas à beira de um abismo encalhado na minha própria vida que não se resume a ser sua, mas somente a um desejo que não é calculado em você, resultando na inexatidão das formas as quais meu corpo se preenche do seu e, assim, seguimos sendo nada. Não deduzíveis. Assim como esse sentimento que aflora em mim por você.

Ps.: me dei conta de que não posso exigir reciprocidade se nem sei o que sinto, então desconsidere algumas palavras.
Ps.2: pare de falar e me beije.

Intercâmbio pra amar


Sabe o que eu sempre quis em um relacionamento? Alguém que gostasse de mim exatamente como sou. E que mais do que isso, me fizesse querer ser uma pessoa melhor; não através de cobranças ou exigências, nem para se encaixar na imagem da mulher perfeita, mas por despertar o melhor de mim através do amor, e de tanto receber o amor, querer chegar na sua essência e exalar um cheiro puro de paixão.

A verdade é que o amor muda as pessoas. O ódio também, assim como a inveja, a saudade, a dor... nós somos moldáveis ao agora do nosso coração e da nossa rotina; e deixar que o mais puro sentimento que existe ser o responsável pela nossa silhueta nos faz pessoas mais saudáveis - de ser e de conviver.

Nos moldes do amor, somos pessoas mais simples, porque ele basta. Sendo pessoas mais simples, a felicidade transborda em nós. Se encontrar amando é celebrar um natal dentro de si, nascer de novo e decretar uma vida que seja alegre e singela. E claro, dividi-la. Afinal, o amor é a única coisa que multiplica a medida que dividimos.

O amor é um intercâmbio do "eu" com o "outro"; uma experiência rica que nos permite sermos pessoas novas dentro de si mesmos e dentro do outro. Sendo assim, aumentamos de tamanho, de coração e a intensidade a qual vivemos as nossas vidas.

A gente só pode fundir-se em outro mundo a partir do momento que a gente se aceita como é, pra deixar-se ser aceitos e aceitar o outro como ele é. Céticos de si, estamos prontos para misturar dois mundos, apoiados na falta de certezas que beiram o amar.

O Natal desse ano


Ontem, quando cheguei em casa e vi que minha irmã tinha tirado as coisas de natal para arrumar a casa, eu chorei. Estava sozinha em casa, e passei muito tempo chorando. Tudo doía. As dores no peito que já venho sentindo há muito tempo por conta do vazio em ter os pais longe, a saudade e essa impotência que não me permite estar perto e ajudar a acompanhar o sofrimento. Não tenho palavras para descrever como está sendo difícil. Mas além das dores que já me "acostumei" a sentir, doeu ver o Natal chegando na minha casa sem meus pais aqui.

Minha mãe é sempre a primeira que se anima para o Natal, chama para arrumar a árvore (e nos últimos anos nem dei importância pra ajudar) e canta músicas natalinas. Eu já tinha dito a minha irmã que não queria arrumar o Natal. Eu não via sentido, não tinha a alegria da minha mãe nem mesmo estaríamos em casa para o Natal.

No entanto, quando cheguei em casa, vi a arvore, as bolas, as luzes e os ursinhos e isso doeu muito. Por alguns minutos, me desesperei. Eu me senti uma criança que não tinha minha mãe para me dar colo. E não tinha. Estava só, com aquele velho sentimento, mas nova razões para somarem às minhas angústias.

Depois de me acalmar, estava procurando uma outra coisa pelo quarto dos meus pais e eis que encontrei uma bola de natal para colocar na árvore com a foto dos dois. E lá vai eu chorar novamente. Tive que ser mais forte do que estava sendo até então e aceitar que iria ter natal sim, e que mesmo que o papai Noel não passasse pela minha casa pra colocar o presente de baixo da árvore, eu precisava deixar tudo como minha mãe gosta.

Pendurei a bola de natal com a foto deles na árvore e fiquei alguns minutos olhando a presença dos dois na minha sala de estar. Meu pai não está jogando videogame ou minha mãe assistindo o programa do Serginho com o cheiro do seu sabonete por toda a casa, mas a presença deles ainda sim é forte em cada coisa que faço, a cada minuto que vivo.

Ainda vão ter horas que o desespero vai bater e que eu vou chorar porque aprendi na marra que isso é normal, mas nada como olhar a sala de estar do jeito que minha mãe gosta e com aquela foto dela e do meu pai no topo da árvore.

O desafio esse ano é não somente deixar Jesus nascer no nosso coração, mas preservar essa esperança que as vezes me parece não difícil de enxergar - sou tão humana. Meu coração precisa ser, esse ano mais do que nunca, manjedoura de esperança e fé, e isso é o que está sustentando eu e minha família em um natal que, por pouco, não teríamos que passar separados.

Ainda falta um mês para eu vê-los novamente e enquanto isso vou sobrevivendo à medida que vivo meu natal. Meu pedido para meu papai noel? Fique bom logo e volte pra sua casa pra assistirmos séries e fazer carinho um no outro!

E já no clima de fim de ano, jamais posso dizer que 2016 foi o pior ano da minha vida. Foi (ainda é), de longe, o mais difícil, mas sem duvidas estou fazendo nascer, também, uma nova Camille a cada dia e esse crescimento não troco por nada. Louvo a Deus na minha dor, pois sei que Ele sofre comigo e  sonha com uma vida plena Nele para mim, depois que tudo isso passar.

Encerro com a frase que resume minha pessoa: a alegria do Senhor é a nossa força. Sim, e nessa alegria que vem dos céus eu sigo minha vida, nos bons ou nos maus momentos, sabendo que a cada dia serei mais forte porque a Cruz que levo é pesada, mas pra nos fortalecer precisamos de um grande exercício de peso para a vida. E a vida...? É  bonita e é bonita!

Evoluir é abraçar o novo


O novo me encanta. Dizem ser um problema essa fascinação pelas novidades, e talvez até me faça esbarrar nas boas velhices da vida, mas me permite ser uma pessoa flexível e isso é essencial para a sobrevivência de qualquer ser humano do planeta.

Sim, me sinto uma pessoa provisória. E sou. Cresci aprendendo que tudo passa, que nada na vida é permanente e que não devemos nos prender ao agora (muito menos ao passado). Então as mudanças foram sempre bem vindas no cenário da minha história.

É preciso que sejamos pessoas flexíveis sim. Todos nós. Quem não tiver a simples capacidade de se moldar nas diversas situações da vida, facilmente cai em uma doença como a depressão, afinal, a vida não é um conceito que a gente segue, mas que a gente constrói. Difícil é quando as mudanças não acontecem como a gente queria, mas elas acontecem e não é algo que possamos controlar, por isso, precisamos ser flexíveis.

A adaptação é essencial para nossa sobrevivência, como o próprio Charles Darwin observou. Isso sempre esteve muito forte em nós, seres vivos. Para viver, precisamos nos adaptar, nos transformar, nos moldar, nos valer. Evoluir é abraçar o novo. Assim, observamos no que vivemos hoje (e sempre) que o  melhor não é o mais forte, mais inteligente, mais rico, mais poderoso, e sim, aquele que melhor se adapta às circunstâncias da vida.

É preciso que levemos conosco a leveza do novo. Ser leve é esvaziar a bagagem de certezas, ceticismos e rotinas e abraçar sempre o novo. É não resistir às transformações e encarar de uma forma saudável as mudanças, mesmo que elas representem um "regresso" para nós. Adaptar-se é sugerir um novo sorriso a cada mudança, e assim, seguir cantando "a beleza de ser um eterno aprendiz" porque a vida... "é bonita e é bonita!"

Mais uma metáfora da vida


Eu acordei hoje dez minutos atrasada e atrasei mais uns dez escolhendo a roupa. Eu ia para o médico (que não sabia o endereço), mas antes tinha que passar no trabalho para deixar o material que fiquei devendo.

Sai de casa despadrada no carro, parei em qualquer lugar, desci tão rápido que deixei a bolsa no carro, depois voltei pra pegar. Esqueci de dar bom dia, trombei em um colega e fechei a porta com força e todo mundo da sala olhou pra mim.

Deixei o material no devido lugar e depois voltei com mais de mil para o carro, sai sem saber exatamente onde queria chegar e me perdi. Não sabia onde estava e isso não era legal naquele momento (já falei que gosto de me perder de vez em quando? Já né! Mas naquele momento não era bom estar perdida) porque eu estava atrasada e só. Completamente só.

Parei o carro onde é proibido estacionar porque não vi a placa e liguei pra cinco pessoas em menos de dois minutos. Olhei ao redor, ainda sem me situar, e acabei por perceber o furacão que estava sendo eu naquela manhã.

A palavra "furacão" me lembrou um amigo, que pediu orações pela irmã que mora em Orlando, e estava temerosa por conta do furacão que está assustando todos por lá. E eu era o furacão daqui. Eu acordei com o pé esquerdo e arrastei todo mundo junto.

Desci do carro, peguei um táxi para me levar até onde eu queria, mas não sabia o caminho. Mal falei com o taxista, mas ele certamente parou na porta de onde eu deveria estar há 40 minutos. Paguei e desci. Cheguei no medico, a atendente mal falou comigo, mas dei minha carteirinha e ela disse que me chamava quando fosse a minha vez. E isso demorou muito.

Sentei na sala de espera junto com umas 30 pessoas nervosas por conta da espera, da paciência que o "paciente" precisa ter quando vai ao consultório do médico mais conceituado da cidade. E do menos conceituado também.

Ainda furacão, eu respirei fundo. Fui, aos poucos, me acalmando, baixando a adrenalina, a agitação (que é típico de mim). Só então eu percebi a grande metáfora que é a vida.

Geralmente, a primeira coisa que faço quando acordo é rezar. Por conta do atraso, eu acabei esquecendo, deixando pra lá. Uma vez em um grupo, a gente discutia sobre isso. Alguém disse que muitas vezes não tinha tempo de rezar porque o dia era muito corrido. E outra pessoa respondeu que, se a gente tá com o dia muito apertado, até preocupado em não conseguir cumprir todas as coisas do dia, é porque já começou o dia errado. A oração deve ser a primeira coisa do dia, inclusive pra pedir que consigamos cumprir com todas as tarefas.

Sem minha oração matinal, segui na agitação, atropelando a mim, a educação e as pessoas (não literalmente, mesmo na loucura que eu tava dentro do carro). Não me percebi, nem percebi o outro. Assim, me perdi. Precisei de alguém para me ajudar a achar o caminho, e uma vez no meu destino, pude parar e me perceber.

E quantas vezes na vida não é assim... A gente esquece o essencial e se perde, machuca as pessoas, esquece de olhá-las, de prestar atenção em tudo o que está a nossa volta. Nos tornamos um furacão; o caos do mundo nos engole e começamos a sugar tudo a nossa volta para essa confusão, como um buraco negro.

Além disso, também foi aprendizado pra mim a importância do "pare". No momento que eu me sentei e parei, pude perceber todos os rastros que estava deixando pelos lugares que passava.

A vida se comunica com nós, basta estarmos atentos para perceber os recados. Pra hoje, ficou a minha oração (o essencial para começar meu dia bem - e cada um tem seu método para levar o dia a dia com tranquilidade) que me aponta o caminho a seguir e é importante para que eu não me perca e a pausa que todos nós devemos fazer sempre para olhar ao redor e perceber que o recado não está na porta da geladeira, mas nas entrelinhas dos nossos passos, independente de qual seja a sua direção.

Mas a solidão


Ontem, quando você foi embora, eu senti um vazio. Quando eu te vi fechar a porta, eu vi também uma parte de mim saindo de casa. Pra sempre, talvez.

Eu coloquei a mão no peito pra checar se tava tudo lá mesmo, depois marquei um exame pra ter certeza se não atracaram meu coração pra fora naquele momento; mas alguma coisa precisa explicar o vazio.

Acredito que estar só e sentir-se só são duas coisas completamente diferentes, mas quando vividas ao mesmo tempo causam um impacto significativo que é capaz de acabar com meu fígado; já que moro vizinho a um bar; já que o bar me lembra você.

Sozinha, sem coração e sem fígado, Deus que me permita viver mais alguns anos existenciais nesse meio termo hábil. Já que você se foi, abstraio de mim as memórias, os sorrisos e palavras. Tiro daqui as fotos, presentes e resíduos de você.

Dizem que meu maior defeito é ser extremista, mas se você não está 100% aqui, não deixe seus 10%, 5% ou nem mesmo 1%.

Está tudo doendo agora, mas é uma questão de tempo até eu me deteriorar junto a tudo que ainda existe de você em mim. Eu sempre te avisei e veja que é pra valer: ou você é tudo na minha vida, meu primeiro pensamento quando acordo e meu último antes de dormir, ou você não é nada (e eu não vou nem lembrar seu nome).

O que a vida nos ensina nas entrelinhas


 Já faz 15 dias que estou vivendo uma experiência diferente na minha vida. Meus pais estão viajando e fiquei "responsável" por assumir o papel dos dois dentro de casa. Minha irmã não é uma criança, mas ela é dependente deles para muita coisa, e com a ausência de ambos, agora dependente de mim.

Brinco com ela dizendo que ganhei uma filha adolescente pra criar. Pulei todas as etapas e virei "mãe" de alguém que já está grandinha, mas não grandona. Quem acompanha o blog sabe que eu auto-intitulo "irmãe" da Carol, mas o que estamos vivendo sem a nossa mãe de fato é um zelo diferente.

Além de filha, veio de brinde preocupações como "o que vamos jantar?", "chegou a conta de energia?", "acabou o arroz, tem que comprar", "buscar na escola às 12h", "comprar pão depois do trabalho", "será que o dinheiro dá até o fim do mês?"dentre outras tantas como prato pra lavar (minha mãe não está aqui pra lavar as panelas que odeio), lixo do banheiro pra trocar, roupa pra levar pra lavadeira.

O acúmulo de funções dos meus estudos, trabalho (que já tinha) e cuidar de casa estão me deixando exausta. Mas não é aquele cansaço insuportável, principalmente porque sei que não dura pra sempre, mas um cansaço que me faz pensar o que minha mãe sente em todo esse tempo.

Viver essa experiência está me abrindo os olhos pra a importância que ela tem na minha vida. Não que antes eu não reconhecesse, mas que eu não fazia ideia de como era viver isso tudo. Realmente, ela é a mulher maravilha. Hoje percebo que o cansaço que ela reclama não é o mesmo que o meu depois de uma semana de provas e que quando se sente desvalorizada porque não lavei toda a louça não é por causa daquela louça, mas por não aliviar uma tarefa que a deixaria menos cansada se não a fizesse.

Bem que todos os filhos poderiam viver isso que estou vivendo. Não sei se a realidade do restante das mães é igual à da minha, mas tenho certeza de que toda mãe costuma dizer "quando você for mãe, você vai entender o que eu digo". E eu ainda não sou, nem estou perto de ser a mãe-mulher-profissional-pessoa que minha mãe é, mas agora entendo mais um pouco que é preciso que enxerguemos nossas super-heroínas com outros olhos porque elas nos salvam de uma vida de preocupações e cansaços por um bom tempo.

Até que uma hora a gente segue nossa vida mesmo. Mas eu sei que quero esse colo pra sempre, até porque estou morrendo de saudade dos meus pais e contando os dias para que eles voltem pra casa para me abraçarem e cuidarem de mim porque eu ainda não estou preparada pra não tê-los. Eu ainda tenho muito o que aprender pra (tentar) ser um pouquinho do que eles são.

(E tô tendo inspiração pra escrever ainda porque, como falei no SnapGram, a rotina me inspira bastante... E ô rotina chata!)

Run for your life


Eu só queria sair correndo. O mais rápido, para o mais longe. Se correr aliviaria tudo o que meu coração guarda? Não sei. Mas meu mundo está em posição de partida, prestes a correr, suar, me distanciar o máximo que eu puder de todas as pessoas, de todos os pensamentos, de toda a realidade.

A sensação de ficar é angustiante. O estático incomoda quando meu maior desejo é não estar aqui. Estou inquieta por dentro, e preciso estar em uma perfeita calmaria por fora, e isso me introduz a um estado de contradição, o que me inquieta ainda mais. E tudo se traduz em uma agitação fora de ordem. Um caos.

Essa mecânica do meu íntimo quase me faz sentir a adrenalina dançando sobre meu corpo enquanto minhas pernas ultrapassam uma a outra, outra a uma, em busca de sessar essa contradição ao atingir o ápice da inquietude, e quem sabe, depois mergulhar no descanso da vida, um domingo à tarde, um feriado na segunda.

Você deveria ser meu


Você passou por mim no shopping e nem me viu. Também não fui até você porque estava com sua nova namorada, Melanni. Fiquei de longe, olhando os dois de mãos dadas, pensando que ali já foi nós dois um dia. Ou que ali poderia ainda ser eu.

Eu não vou mentir, eu me culpo porque a gente não deu certo. Me culpo, na verdade, por todos os meus relacionamentos que não deram certo e mais ainda porque já perdi a esperança de achar alguém como você.

Pensei, mil vezes naquela noite, a fatalidade de ter deixado escapar das minhas mãos o homem da minha vida. Na época, me parecia certo seguir em frente, mas eu nunca segui. Você sofreu e eu não liguei. Você chorou e eu não enxuguei suas lágrimas. Agora você passa por mim e eu me lamento: ela está com o homem que era pra ser meu.
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