Palavras sobre o amor e a felicidade


Meras palavras.

Te amar. Foi o meu primeiro engano. Aquilo não era amor. Nunca foi amor. Jamais, em nenhuma hipótese, será o resumo do amar. Meu sentimento era outro. E eu achava que era amor. Você me fazia pensar nisso. E machucou saber que na verdade, nunca amei.

Na verdade sempre machucou. E esse é o maior indício de que não era amor. Machucou. Você. Cada jogo mental, cada traição, cada mentira machucou. E todas vezes eu jurei que era amor, porque achava que estava te perdoando; que você merecia meu perdão.

Depois, vivi a ilusão de achar que era culpa minha. Tudo era culpa minha. Todos os detalhes, todas as brigas, todas as palavras. O desamor. Era culpa minha. Eu vivi com esse peso por muito tempo. Eu vivi essa prisão durante todo o nosso relacionamento, e as lágrimas que restaram depois.

Até cair na real, se é que já enxergo por inteiro, porque estive tão machucada que não sei se vi bem. Mas, naquele momento que parei de me culpar, que vi que na verdade nunca foi amor, nem da minha parte nem da sua, que vi que você era o responsável por tudo que deu errado, e por ter dado errado, naquele momento... tudo mudou em mim. Mesmo que não não por completo.

Me senti clara. Me senti, talvez, feliz, enfim. Achava que você era minha felicidade. Ingênua. Aquela garota que pensou, um dia, que você era investimento pra futuro. Que você era meu futuro. Cresceu.

Ainda bem que tudo passa na vida. E essa enganação que vivi com você passou. Esse falso amor. Essa ilusória sensação de ser feliz. Obrigada, porque hoje valorizo muito mais a mim e a felicidade. Obrigada por ter sido o pior, pois agora, vou em busca do melhor pra mim.

Ser
Feliz

A plateia das minhas lágrimas


Eu estava chorando e me perguntaram: por que você está querendo plateia agora?

Me senti vazia. Eu não queria plateia. No máximo, que alguém me entendesse, ao invés de criticar. Ao invés de perguntar por que eu queria plateia. No máximo, alguém que percebesse que era só mais uma injustiça da vida.

Às vezes a gente acha que é tudo exagero alheio. Mas ninguém sabe o que se passa na cabeça de uma pessoa. Ninguém sabe se aquela piada não foi somente uma piada. Ninguém sabe se aquele olhar de indiferença significou muito além. Ninguém sabe se a plateia, era na verdade, apenas um ouvido que faltava. E ele estava ali. E aquilo bastava. Mas tinha alguém que perguntasse se o que faltava era uma plateia.

Quero dizer que nunca quis plateia. Especialmente porque quando a gente dá um show, espera atender às expectativas da plateia. Aprendi que viver bem é viver sob as próprias expectativas. Lidar com as próprias frustrações e fracassos.

Acho que essa é a minha plateia: sentado, me encarando, está cada um dos meus erros. Está cada uma das minhas frustrações. Está minha pequenez. Meu fracasso. Minha fraqueza. É difícil ter que lidar com isso e ao mesmo tempo pessoas que questionem a sua arte. Sua arte de chorar.

O mundo está tão insensível que ver alguém chorando por aí é difícil. Difícil porque a gente fica sem saber o que fazer mesmo. E o que vem à cabeça no pânico da escassez de agir é perguntar: por que você está querendo plateia agora?

Repense e não elogie


Este domingo (08) no Fantástico, tivemos um verdadeiro show de horror. Aqui estou eu para falar de uma das reportagens que vi, que não concordo em nada com ela, mas que uma fala em específica me levou à indignação. Estela Renner, diretora de um documentário que estreia essa semana, critica o ato de elogiar uma menina de "princesa", pois isso seria, segundo ela, fortalecer o esteriótipo de "loira, delicada, branca e de olho azul". Pasmem.

Tenho que dizer, mas a querida Estela atingiu o ápice da estupidez humana, que vêm marcando toda uma sociedade com ideias ignorantes, hipócritas, contraditórias e preconceituosas (e não falo aqui do racismo, mas sim de formar conceitos antes de uma etapa interessante chamada "informação") que se aproveita das pessoas que se contentam em um saber banhado tão somente no senso comum para disseminar esses pensamentos.

Mas, acima de tudo, acho que a querida Estela precisa se atualizar nos filmes da Disney antes de fazer um documentário. Primeiro porque a própria ideia de que princesas são loiras, brancas e delicadas já foi ultrapassado por personagens marcantes como Moana e Tiana, que protagonizam filmes de sucesso mundial. Em segundo lugar porque se eu chamo uma menina de cabelos cacheados, pele negra e olhos castanhos de princesa eu estou reforçando pra ela a ideia de que ela, do jeito que é, é uma princesa. E isso, querida Estela, cria um efeito oposto do qual a senhora prevê.

Eu fico muito indignada em ver as pessoas com tamanha ignorância e falta de informação a ponto de afirmar uma coisa dessas. Pedir para repensar o elogio é tirar o foco do simples "pensar" de onde ele realmente deveria estar: nos diversos acontecimentos ruins que estamos passando no Brasil e no mundo. Elogios, minha cara Estela, não sei se você os recebeu, mas são sempre bem vindos. Não são eles que deveremos repensar, e sim, no que é relevante e útil.

O que devemos repensar é o caminho que a nossa sociedade está tomando, que coincide com as tantas previsões de fim de fundo que estão fazendo por aí. Sim, é o fim do mundo, porque estão se acabando os valores, os limites, o bom senso e o respeito; está se acabando um dom do homem (quer dizer, agora não posso nem dizer "homem", pois estou sendo machista, né? Tenho que dizer "pessoa", porque isso faz muita diferença no meu texto) de pensar.

Está, a sociedade, simplesmente absorvendo informações inúteis, como a que passou na indignante reportagem do Fantástico, e achando que isso é ter opinião.

Então elogiem... elogiem como quiserem: linda, princesa, inteligente, alegre... qualquer elogio faz crescer, inclusive críticas (porque acho que devem ter mudado a genética das crianças da minha geração para a atual, que não podem escutar nada negativo que ficam traumatizadas, ao contrário de mim que escutei muitos consertos dos meus pais e ao invés de trauma, ganhei educação). O que não merece elogios em toda essa história é o declínio da nossa sociedade, que não vale nem a pena falar.

Você nunca mais voltou


Senti seu cheiro. Senti seu cheiro e chorei. Chorei, lembrando de nós dois, de todos os momentos bons que passamos juntos, de como suas mãos tocavam minhas costas e de como eu era feliz com você. E você sabia, e dizia que eu nunca mais iria querer viver sem você. E você quem não quis mais viver comigo.

Você se foi, levou minha felicidade e um pedaço de mim que eu tinha te dado para cuidar. Fiquei, então, com um buraco dentro do peito, porque você também levou a si, me deixando sem ti.

Eu já perdi a conta de quantas vezes me deitei no meu quarto, me encolhendo da tanta falta que você faz nos sábados à noite. E nos domingos de tardezinha. Muita coisa parece não mais fazer sentido em mim, nem em você, mas o "nós dois" faz. E muita. E faz falta também.

Você bem que podia voltar. Voltar por inteiro, porque seu sorriso aparece muitas vezes nas lembranças que guardo em mim, no gosto do café, no macio da minha cama e no seu cheiro que ficou exalado no meu coração e só me lembra você, tudo é você. E tudo isso me faz doer.

E você disse que não queria me ver sofrer quando foi embora. Sei que esperava que eu iniciasse um novo capítulo da minha vida, mas tenho lido e relido aquelas últimas palavras que ficaram na minha cabeça quando você disse adeus. E nunca mais voltou.

Eu me pego te esperando às vezes nos sábados. Lembro que deitava com o notebook aberto pra ver algumas séries até que você chegasse aqui em casa. Quando chegava, assistíamos um filme com pipoca e guaraná e saíamos pra lanchar. E agora os episódios passam e você não chega. Não chega.

Nem queria estar te esperando. Mas, contraditoriamente, queria que você voltasse. 

Hoje acordei bem


Ontem eu não estava bem. Tudo começa com uma noite mal dormida, um acordar pesado e a sensação de que seu dia começou do lado errado. Tá na moda dizer que um bom dia cada um faz o seu, mas tem dias que não estamos pra vida. Acontece. Acordamos, quando na verdade era melhor ter passado o dia na cama, de lá nem saído.


No entanto, eu sou uma mera mortal, que, de segunda a sexta, tem que acordar cedo pra trabalhar - falando nisso, ta aí uma coisa que nunca vou me acostumar: acordar cedo. Quase não deu pra acreditar que eu tinha que levantar da cama pra viver. Não dava pra ficar nem mais 5 minutinhos, e que saudade de quando eu podia ficar mais vários 5 minutinhos.

Mas a gente coloca o pé no chão e leva o dia nas costas como um saco bem pesado quase pocando. E aguenta, viu? Porque até voltar pra casa é uma batalha quando passamos por dias assim. Mas a gente luta e sobrevive. E esse termo é muito perfeito, pois a gente faz um pouquinho mais do que "viver" pra enfrentar esses dias. É "sobre-viver" mesmo.

Em dias assim, até quem toma rivotril pra dormir, cai no sono sem nem pensar no dia. E até até bom; evita ter que reviver tudo novamente. E nossa existência se perfaz de dias assim pra que amemos todos os outros dias que estamos bem. Hoje acordei bem. Não é "normal", é bem. E devemos aprender a valorizar nosso "normal" para o enxergarmos como "bem". E por isso que dias cinzas são tão interessantes para nós; pra não cair na rotina, pra sentir a vida, pra valorizar o "bem".

Como ser luz como ela


Ela é luz. Seu sorriso inflama, seus olhos brilham e sua alma reluz. Sua história começou quando ela conheceu Bartolomeu, um menino de 21 anos que já fora morador de rua e lutava contra as drogas. Ele queria uma vida melhor. Ele vestia uma blusa pólo, seu cabelo estava arrumado e ele contava sobre seus sonhos.

"Eu quero fazer faculdade de psicologia.", ele disse. "É meu sonho, e depois vou querer casar com uma mulher bonita e ter três filhos"

Ela estava esperando o resultado do vestibular, queria fazer publicidade e propaganda e o olhou, com a camisa meio velha e os olhos cheios de esperança e resolveu ser igual.

Então, ela trocou os pensamentos negativos por positividade e resolveu ver a vida sob um novo ângulo. Abriu a janela do quarto e deixou a luz entrar no seu coração. Fez anotações em um papel cor-de-rosa e colou ao lado da sua cama:

- Agradecer pelo dia todos os dias (e todas as coisas boas nele)
- Sorrir
- Aprender a filtrar o que as pessoas falam

Levar a vida assim, ficou melhor.

Quando a gente agradece as coisas boas que tem e pelo dia que nasce, a gente valoriza esses detalhes das nossas vidas que a gente não percebe. A tendência do ser humano é só perceber aquilo que falta ou está errado, e por isso, deixamos de ser luz, porque só enxergamos a escuridão ao nosso redor. Mas a a partir do momento que destacamos o que de bom acontece na nossa vida, mesmo quando as coisas negativas chegam, a gente já está lembrado das graças que vivemos.

Ao sorrir, a gente cria uma barreira contra o negativismo, aquilo que é ruim e destrutivo. Sorrir é contagioso e pode mudar o seu dia e o dia de outra pessoa. Por isso ela estabeleceu aquilo como meta.

Por último, mudou sua vida saber filtrar o que as pessoas falam. Primeiro, porque repito: temos a tendência de não destacar aquilo que está dando certo, apenas o que precisa ser melhorado, o que está ruim. Então as pessoas tendem a falar mais coisas negativas sobre nós, e não podemos absorver a negatividade. Além disso, existem pessoas que não são luz, e acabam por enfraquecer a nossa, se deixarmos que a escuridão entre. E ainda sabemos que existem pessoas ruins que só querem nos atingir e colocar pra baixo, pois nem todo mundo sabe lidar com a luz do outro. E por isso, filtrar o que as pessoas falam - absorvendo as sugestões que lhe fazem melhor, mas expulsando de si aquilo que não vem pra somar, fez da vida dela uma experiência melhor.

E ela é luz. E jamais esqueceu aquele jovem que queria fazer psicologia, mas já entrara na mente humana com sabedoria e transfiguração.

Minha história de amor nos dias de hoje


Eu conheci Fabrício em um momento de dor. Ele tinha acabado de perder a mãe depois de 8 meses de sofrimento. Câncer de fígado. Foi uma longa batalha. Ele estava desgastado. O irmão mais novo, de 8 anos, era uma criança triste e o pai, sobrecarregado.

Ela se foi e deixou dor. Infelizmente, não tinha outra palavra para a partida dela. Era como se tudo na vida deles fosse preto e branco a partir do dia que ela descobriu o câncer. E com sua morte, tudo virou cinzas.

Por muito tempo, eu fui um colo para Fabrício; um consolo. Eu me sentia bem em poder ajudar, mas era um aperto muito grande no coração quando ele ligava chorando no meio da noite porque se sentia só. Eu pegava o carro na madrugada e ia dormir com ele.

Eu evitava brigar com ele porque sabia que tudo o que ele fazia era uma tentativa dura de esquecer que o seu coração sangrava. Eu fiz o meu melhor. Como namorada, como pessoa, até mesmo fui uma mãe, mas não pude evitar que ele entrasse em uma depressão. Eu não me culpei, mas me senti insuficiente.

No momento que ele disse "estou em depressão, o psiquiatra quem falou", eu senti meu coração se afastar do corpo. Não sei se já conhecem essa sensação, aquele segundo que tudo muda, e você se pergunta mil coisas. E deseja que fosse você, pra poupar a dor do outro. Ainda não era real pra mim, mas era muito real pra Fabricio. E doloroso.

Eu o abracei, mas não saiam lagrimas. Nem de mim, nem dele. Alguns sintomas estavam bem na minha cara e eu não parei pra perceber. E me perguntei se as coisas seriam diferentes se eu tivesse agido diferente. Mas eu bem sabia que não adiantava me culpar. Eu precisava ajudá-lo.

Depois do abraço, consegui dizer "vamos superar isso juntos", e me mudei pra casa dele. Aquilo foi uma promessa de amor muito mais sincera das que as pessoas fazem no altar. Eu também comecei a ir pra terapia pra não me culpar e aprender a lidar com o sofrimento e a melancolia dele. E foi difícil. Foi um processo longo e pareceu ser mais longo ainda.

Um dia, Fabrício recebeu alta. Dois dias depois, ele me pediu em casamento - fizemos a cerimônia mesmo, porque casados já estávamos vez que morávamos juntos. A celebração foi bem simples. Depois de sete meses tivemos nossa primeira filha, e dois anos e meio depois, a segunda. Nossa vida é só alegria.

Quando penso no passado e por todos os desafios que enfrentamos eu sinto orgulho. Muito. Diante de um mundo em que tudo é descartável e as pessoas desistem de suas vidas, seus relacionamentos e sonhos no primeiro obstáculo, eu e Fabrício enfrentamos tudo juntos.

Vejo amigos se separando por problemas financeiros, dificuldade de horários, conflitos de opinião ou até mesmo ciúmes. Claro que ninguém deve ser infeliz em um relacionamento, mas o "desistir" hoje em dia se tornou banal. O casamento se tornou banal.

A gente acha que as consequências do fim de um casamento é somente dividir bens e o climão na família, mas eles são muito mais extensos. Diretamente, os filhos são os mais prejudicados. E de forma indireta não se pode medir a extensão de tantos divórcios na vida pessoal, na sociedade e nos valores do mundo.

Mas eu não tô falando só da nossa fraqueza em enfrentar situações no casamento. Não. A gente vive isso em tudo. São chefes que demitem seus empregados por falta de paciência em estimar uma melhora, amizades que se desfazem por coisas bobas, namoros que não seguem por brigas e desentendimentos, pais que desistem de seus filhos por achar que não mais tem solução, celular com defeito que não vale a pena colocar no conserto e até os brinquedos que quebram e compram-se outros.

Se a gente olhar pra nossa vida, somos todos assim. Temos que ser muito práticos. O mundo hoje em dia exige essa velocidade pra gente amar, ser feliz, viver, consertar, conversar. Mas precisamos medir as consequências disso, que, da mesma forma que existe no caso de divórcio, existe em qualquer situação que vivemos em nossas vidas e uma hora a consequência chega em nós; do mesmo jeito que tudo e todos são descartáveis, uma hora seremos também.

Enfrente seus problemas e dificuldades. Insista nos relacionamentos e pessoas. Valorize seu dinheiro e o que você tem. Cuide-se e você será cuidado.

Você está no controle


Hoje começo fazendo questionamentos: quem você acha que tem o controle da sua vida? Quem comanda suas ações, pensamentos e atitudes? Quem determina o que você fará diante das situações do seu dia?

Se a resposta de todas estas perguntas foi diferente de você mesmo, pense que pode haver algo de errado. O que você sente e como reage está sempre com você. Ninguém tem responsabilidade sob as suas ações e problemas. Você é o senhor dos seus pensamentos e atitudes. Não existe o "eu tive que fazer isso", e sim, "eu escolhi fazer isso". Mesmo uma ação mal pensada ou mesmo não pensada, a responsabilidade nunca recai sobre o outro, e sim, sobre nós mesmos.

Em outras palavras, o que nos determina são eventos externos e internos, no entanto, a forma de processar e reagir a tais eventos é inteiramente interna. Nossa vida se traduz a três elementos, os quais são pensamento, emoção e comportamento. Dessa forma, podemos deduzir nosso funcionamento à seguinte equação: um fato gera um pensamento, que por sua vez desperta um sentimento que nos leva a um determinado comportamento diante daquele fato.

É certo que os acontecimentos que nos cercam nas nossas vidas são incontroláveis por nós. Eu não posso determinar como meu chefe se comporta, nem resolver o problema financeiro de uma amiga ou um problema de saúde do meu pai, mas tenho total controle sobre aquilo que penso, sinto e faço diante disso.

Então, se eu me deparo com uma dessas situações e ela desperta em mim um pensamento que me faz sentir raiva, se não posso mudar o meu chefe carrancudo, devo transformar meu pensamento sobre aquele fato. E assim, a raiva, angústia e qualquer outro sentimento ruim se transforma em algo bom, e minhas ações, por consequência também.

Vamos ao exemplo prático: no meu ambiente de trabalho, meu chefe é grosso e nunca valoriza meu trabalho. Eu sempre penso "nunca faço um bom trabalho" ou "ele não gosta de mim", e isso me gera raiva e me deixa desanimada para trabalhar, o que baixa o meu rendimento. Por outro lado, diante do mesmo fato, eu penso "ele é assim com todo mundo, não só comigo", "ele não sabe valorizar meu trabalho, que eu sei que está bom", eu começo a ter outros sentimentos e agir de forma indiferente àquele comportamento, o que me faz dedicar melhor ao trabalho.

Então, repito as perguntas: quem você acha que tem o controle da sua vida? Quem comanda suas ações, pensamentos e atitudes? Quem determina o que você fará diante das situações do seu dia?

Agora, com uma visão diferente sobre isto, colocar em prática é um exercício diário, que nos levará a viver uma vida cada vez melhor, pois bons pensamentos nos levam a bons sentimentos e boas atitudes, e assim, teremos o verdadeiro controle da nossa  vida, e uma vida boa, mesmo diante de fatos desagradáveis, pois o que existe dentro de nós está em sintonia com a felicidade.

Os incomodados que se mudem


Mudar. Verbo regular dissílabo da primeira conjugação. Vem do latim mutare.  Deriva das nossas ações, atitudes e pensamentos. Não é um ponto de partida; este, o pensamento. Mudar é ação temporal sobre nós e ação nossa sobre o tempo. É uma transitividade e uma intransitividade complementar. É diferir-se de si mesmo. Transformar-se.

Apesar da possibilidade de conjugação do verbo no imperativo, o mudar parte exclusivamente do eu lírico. Pense bem. Há tantas coisas nos outros que gostaríamos que mudassem, certo? Até mesmo em situações que passamos em nossas vidas que nos incomodam e determinados aspectos da nossa realidade. 

Em certos contextos, a gente não mede esforços para mudar o que está ao nosso redor incomodando. Falo por mim; quantas vezes não me deparei com situações que desejei mudar. Me dediquei, me angustiei, me empenhei para transformar tantas coisas na minha vida e me demorou para perceber que meus esforços estavam sendo somados ao lado errado da história. 

Gandhi aprendeu e repassou a lição mais rápido do que eu: “você deve ser a mudança que você quer para o mundo”, e a partir disto, construímos nosso eu. Todas as nossas energias devem ser dedicadas a nós mesmos. Isso não é ser egoísta, muito pelo contrário. Investir na sua melhor versão é também um bem para aqueles que vivem ao seu redor. 

Sendo assim, qualquer que seja a mudança que esperamos nas pessoas, nas nossas vidas e no mundo, devemos fazer em nós. Viver bem é nos situar elegantemente diante da nossa existência. O que nos incomoda não tem que mudar. O que tem que mudar é a nossa forma de lidar com aquela situação ou mesmo a forma com a qual a enxergamos.

Em síntese, devemos apreender que, de fato, os incomodados que se mudem, mas não para fugir dos problemas e circunstâncias, e sim aprender a enfrentá-los, transformando-se, para que vivamos em paz mesmo diante dessa loucura da vida. "Se mudar" não se refere a um lugar, mas um estado mental de incômodo. Nossa pretensão é sempre estar bem, e para isso, devemos ser pessoas ativas, não apoiadas na espera de que a mudança venha por fatores externos, pois ela não vem; ela floresce de dentro de nós.

E quando a gente sai de casa?


Nos filmes, sair de casa parece ser uma coisa bem fácil. É só achar um apê, pegar as coisas e ir embora, mas na vida real não funciona assim. Primeiro que os custos são maiores do que a gente pensa e ainda morar só é mudar de vida.

Já vai fazer um ano que saí de casa; e as roupas não se lavam sozinhas, os pratos muito menos, nem a comida chega pronta na mesa, o miojo é o maior aliado da fome e a calculadora do iPhone nunca foi tão usada por mim. Eu faço mais cálculo de matemática do que na época de escola.

Brincadeiras à parte, mas a opção por sair de casa é uma mudança profunda de vida. Desculpem por chegar a falar clichês aqui, mas não tem melhor coisa que casa de mãe. Nossos pais dedicam a vida a poupar-nos desses desafios do mundo adulto, e a gente achando que tá preparado dá um salto do ninho e cai de cara com a realidade de que nem é tão bom assim ser gente grande.

De repente a gente se vê preocupado com coisas que não tínhamos nem noção que existiam como as contas chegando (tipo, muitas!), o arroz que acabou e esqueceu de comprar, o supermercado vira o lugar mais frequentado e a solidão nossa mais fiel companhia. Venho aqui desabafar porque virei uma chata falando demais da minha vida por aí afora. Às vezes vomito minha rotina para as pessoas que nem querem saber, e repito as histórias sem lembrar que já contei. Virei quase uma velha.

Claro que tudo é questão de adaptação e hoje já sou bem moldada na vida que levo, mas não vou mentir que não é melhor chegar em casa, comer e dormir tranquila sem se perguntar se a porta tá trancada, os pratos estão lavados e se o dinheiro vai dar até o fim do mês.

No fim, essa mudança (não só de casa) é um processo necessário, sabe? Tem gente que escolhe esperar casar pra sair de baixo do teto dos pais, mas por circunstâncias da vida nem tive essa opção. Mas a gente vive pra isso mesmo; é inevitável uma hora sair do colo da mãe e andar com os próprios pés.

E o que fica pra hoje? Cada coisa tem seu tempo. Não apresse o tempo, assim como não o retarde - seja por medo ou comodismo. A vida é, em si, uma escola só que a gente já aprende a viver na prática e as provas acontecem a hora toda, e embora despreparados para enfrentar as dificuldades, a gente se vira e revira pra sobreviver.

A felicidade não é para todos


As doenças da mente nos assombram. A depressão é a doença que mais mata no mundo. A felicidade nos parece uma realidade cada vez mais distante. E talvez até seja, dependendo do nosso ponto de vista e de onde estamos colocando toda a nossa vida.

Ouvi que hoje em dia as pessoas querem aparentar a felicidade muito mais que ser felizes e demonstrar uma vida a qual não têm nas redes sociais. Isso é uma verdade parcial; se é que existe verdade. De fato, as pessoas querem mostrar - seja no olho no olho, seja na internet - que são mais felizes do que realmente são, mas isso não é um problema do hoje, mas uma realidade a qual se vive desde a antiguidade.

Quem já leu livros antigos, ou mesmo assistiu novelas de época, com certeza já percebeu, que desde sempre o importante não era, em si, o que você é, mas o que as pessoas acham que você é, o que a sociedade pensa de você. Sempre foi assim e a diferença é que hoje é mais fácil de demonstrar essa falsa felicidade pelo mundo afora - e ela alcança uma maior quantidade de pessoas.

Diante disso, cabe a nós uma pergunta muito íntima: por que nós estamos mais preocupados em parecer felizes do que realmente ser felizes?

Primeiro, podemos perceber que falsa felicidade é muito mais fácil de alcançar do que aquela que vêm de dentro, que precisa muito mais do que ser encontrada (ou comprada): ser descoberta. Se a gente parar pra olhar essa "falsa felicidade" (que neste contexto podemos chamar de alegria, para já absorvermos que ela é momentânea)  é exatamente ela que a gente vê por aí a fora: fama, dinheiro, poder, bens e claro, viagens.

No entanto, a gente não pode viver acreditando que a felicidade é para aqueles que têm; e quem não tem não será feliz. Muito pelo contrário, o acesso à felicidade é democrático (para todos). Pessoas felizes não são aquelas que tem o carro do ano, o iPhone mais caro, muitos seguidores no instagram nem muitos carimbos no passaporte, mas são aquelas que entendem que ser feliz não é ter tudo o que deseja, e sim, amar tudo o que tem.

Quem é feliz entende que as coisas não nos trarão felicidade, muito menos as pessoas ou as nossas conquistas. Embora trazerem uma satisfação pessoal, estas coisas não podem nem devem ser parcela essencial do sentido da nossa vida.

Quem é feliz entende que desapego e amor andam juntos e que para viver bem, precisamos nos colocar em primeiro lugar, mas não sozinhos, e sim, juntos com todas as pessoas que vivem ao nosso redor.

Quem é feliz entende que viver é muito além de momentos e que jamais existirá uma fórmula que nos ajude a encontrar a felicidade dentro de nós (que é onde ela está).

Quem é feliz entende que felicidade é vivida no silêncio, não exposta para todos verem.

E termino, lembrando uma frase de Jim Carey: “Eu acho que todo mundo deveria ficar rico, famoso e fazer tudo o que sempre sonharam, para que possam ver que essa não é a resposta.”


Quero um namorado


Meu Deus, sério, eu olho ao meu redor e não vejo ninguém. N-I-N-G-U-É-M. Ah, desculpe, me expressei mal. Ou fui incompleta. Tá cheio de gente aqui, e na minha vida em si, é que mesmo assim me sinto só. Quero um namorado, um amor, um beijo, um carinhozinho. Não sei sou feia ou se tenho bafo, se sou ruim na paquera, mas sinto que vou morrer solteira!

Mês passado tinha um menino, era legal e tal, mas um dia (depois de ficarmos bem muito), ele disse que queria só uma amizade colorida. Dá pra acreditar? E há uns três meses um cara que queria algo sério comigo não tinha química. Não me julgue, não é que ele beijava mal, é que realmente não tinha aquela faísca, as borboletas no estômago, a ansiedade em vê-lo, a saudade. Não rolou.

E não tem mais ninguém. Mal acredito que não tenha ninguém na minha vida que eu olhe e pense "poderia dar certo". É impossível assim. Não quero morrer só.

Não é possível que eu seja a única pessoa do mundo inteirinho que não consegue arrumar um namorado. Um simples namorado. E não é por opção, viu? Não nasci pra vida de balada, sair, ficar com vários... nada contra quem faz isso, pode fazer, mas eu só queria alguém pra dividir a conta do Netflix. Simples assim. 

Me sinto um zero à esquerda agora. Uma solitária. Cansei do papo da hora certa e das besteiras que me falam pra ser paciente. Quero logo, quero agora. Pra que a pessoa ficar contando as horas pra amar? Deixa amar logo! Ficar solteira é um saco, eu queria só um amor pra dar as mãos, ser romântico e me mandar flores (e não me digam que estou sendo utópica).
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