Como encontrei minha paz


Não vou me trocar por você. Apesar da pouca idade, já vivi o suficiente para aprender que não existe outra de mim por ai, e que se eu me perder é difícil de reencontrar. Já passei por uns bocados até perceber que o que eu tenho dentro de mim vale mais do qualquer coisa que possa existir fora de mim, inclusive a sua companhia.

Por um tempo, você roubou minha paz. Disse que foi em busca da sua. Mal sabia você, que a paz não é um destino que a gente aceita o desafio de procurar; mas você embarcou em uma longa jornada para o lado oposto que eu estava, jurando que o problema era eu. Por um tempo você me fez acreditar nisso.

De repente sozinha, me vi diante do contorno da vida. Era a beira da estarda, a linha tênue entre a tristeza e a saudade. E saudade vem de coisa boa, mas o que você fez não foi bom, então eu não entendia a razão das minhas lágrimas, mas queria que você voltasse.

Aos poucos, a inquietude tomou conta de mim. Era tão difícil que eu cheguei a achar que você tinha levado um pedaço de mim embora. E quando eu quase me perdia, eu acordei e me dei conta de que a diferença entre um sonho e um pesadelo é só o final. Simples assim. O jeito que as coisas acabam, ou melhor, o jeito que nós permitimos que as coisas acabem dentro de nós. E é preciso que permitamos o fim - antes do nosso fim.

Então decidi: a paz é minha. E sendo minha, ela sim faz parte de mim, não de você. Então você não tinha levado minha paz, muito menos um pedaço de mim; eu estava inteira, só um pouco machucada. Levantei, coloquei remédio e a oração me ajudou a me amar.

Amar não de me achar linda e manter uma auto-estima, mas de conhecer e valorizar minha essência. Sempre me disseram que a gente só ama aquilo que a gente conhece e, assim chego a conclusão de que o amor verdadeiro por si mesmo somente é vivido a partir do momento que criamos intimidade conosco.

Conhecer-se é essencial pra se amar. Conhecer-se é essencial  pra se envolver com as pessoas sem abrir mão do "eu" ou do amor próprio. Lidar com o outro é estar vulnerável à alegrias e decepções; lidar consigo mesmo é manter a paz diante das alegrias e decepções. É certo que jamais poderemos controlar as atitudes e pensamentos das pessoas, mas fundamental é saber administrar, ou melhor, educar nossos pensamentos e sentimentos diante de si do outro.

Sendo assim e, sendo você alguém que já não me faz bem, escolho manter-me indiferente diante da sua presença e das suas atitudes. Quem não vive em paz tende a contaminar àqueles que buscam a paz. Mas quem em si encontrou sua paz não se permite ser contagiado. Não perca seu tempo aqui.

Nunca serei uma folha em branco


Parei de frente para o papel em branco e fingi que ali era a minha vida. E se eu tivesse mesmo uma chance de recomeçar, por onde eu iria? Sentiria medo e não me atreveria a riscar a folha por um bom tempo; é um calafrio, um temor de estragar o papel novinho. Uma vida novinha, e eu já começar errado? Não... me dói nos nervos só em pensar.

Não sei ainda se a vida está certa ou errada em não nos dar a possibilidade de, pelo menos uma vez na vida, ser uma folha nova. No máximo, a gente consegue apagar alguns detalhes, mas não acredito que seja tão válido porque a marca do lápis sempre fica. E se apagar demais, a folha rasga. Então as opções são bem limitadas para nós. A verdade é que vivemos por cima dos nossos erros e acertos, medos e conquistas. Por conta disso, é tão difícil mudar. E mais ainda, que essa mudança seja percebida. 

Afinal de contas, toda mudança começa por dentro; e primeiro a gente apaga, pra depois escrever, não é? Então antes de qualquer coisa, a gente mexe em tudo o que existe dentro de nós, e só depois que nossas ações começam a ser reflexo disto.

Mas me indigna eu não poder ter uma folha nova. Me indigna muito. Serei sempre reflexo do que já fui, e viverei sempre consequências do que já vivi. A lei do retorno explica muita coisa, mas quando ela se cala a gente não sabe o que fazer.

Então nos resta viver com todas as marcas de escritos apagados em nós. No final das contas, eles são uma lembrança de que é possível, ainda que sem recomeços, renovar nossas vidas. Nossos erros são memórias do que não queremos ser. Nossos erros são impulsos para acertos. E isso, e além disso.

Mas veja bem: continuo com aquela história de que não existe certo ou errado. E mesmo assim me atrevo a falar de erros e acertos. Tão simplesmente porque, fruto de julgamento nosso, o discernimento do certo e do errado é privilégio exclusivo de cada um. E se usei uma linguagem tão rebuscada foi pra suavizar um pouco a mensagem, mas é pra traduzir assim: a noção de certo ou errado é minha, não sua. O que é certo pra mim, é certo pra mim, não necessariamente pra você (nem mesmo para o "eu" do futuro).  Então o errado cabe apenas a mim avaliar. E apenas para mim ser direção.

Então, folhas velhas e usadas, corrigidas, amassadas e muitas vezes quase descartadas, a consequência de cada detalhe que a risca nosso ser é tão somente nossa. Que fique, então, o que tenho aprendido com as porradas da vida: viva conforme o seu entendimento, mas viva sempre de ouvidos abertos para o novo. Só não viva voltada para o que já foi apagado, mesmo que a marquinha ainda esteja lá.




Você não é melhor do que ninguém.


Tenho uma coisa interessante pra te falar: você não é melhor do que ninguém. Jamais será. Simples fato da vida é ser irrepetível. Não somos imitadores nem imitados por ninguém, ou, ao menos, não deveríamos ser. Sequer tentar.

Estranho afirmar isso na realidade em que vivemos, em que nada nos aparenta ser inteiramente original, mas de fato poderíamos ser mais completos se nos satisfizermos com nossas incompletudes. Não estou dizendo que não devemos sentir aquela sede de ser sempre mais e viver melhor, mas que precisamos deixar bem claro na nossa mente que essa busca jamais pode ser baseada no sucesso dos outros. 

Isso porque nossa irrepetibilidade é uma característica tão bonita, e é quase que um crime abandoná-la em troca de imitar alguém que jamais conseguiremos ser completamente igual.

Temos mania de sempre nos comparar com os outros. Isso é tão errado, que só nos encaminha à frustração. Não somos iguais a ninguém, somos melhores do que uma copia. Sempre se compare consigo mesmo.

Não importa quem é o mais bonito, o mais inteligente, o mais esforçado, o mais eficiente ou o mais feliz. Não queira ser. Viva, a cada dia, pra ser mais bonito que ontem, mais inteligente que nunca, mais esforçado do que já é, mais eficiente do que você mesmo e principalmente: mais feliz.

..."Só assim, serei feliz. Bem feliz."

Não é você, seus olhos disseram


Você mudou. Está diferente; não é mais você. Hoje eu sequer reconheço o que você se tornou porque tenho convicção que nada disso é você. E eu te olho, sem nem te enxergar, e me pergunto o que aconteceu, pois você costumava ser a pessoa mais doce, íntegra e dedicada do mundo, era até certa de si, e hoje não vejo certeza nenhuma nos seus olhos. Nem felicidade.

Eu lembro de ouvir sobre suas inseguranças diversas vezes e até me perguntei se era isso o que tinha mudado, mas acho que não. Aparentemente você mascarou-as. Provavelmente até acha que superou aquelas incertezas da vida, mas veja bem se foi isso mesmo.

Eu posso até estar parecendo um pouco incisiva. E também indecisa do que acho ou não. Tudo o que eu estou falando é ponto de vista, mas um ponto que a antiga você consideraria em ouvir. A nova, talvez não. E essas dúvidas só permeiam dentro de mim porque não conheço mais você, então não me atreveria a fazer afirmações sobre o que você está passando. Só especulações. Mas você mudou. Essa não é você. Não é você, seus olhos me disseram.

Entretanto, independente de qualquer mudança que você possa estar vivendo dentro de você, inclusive aquelas que não meu ponto de vista não são positivas, a única que me incomoda é o seu olhar. Ele mudou até demais. Você não é mais feliz. Essa sim é uma e a única afirmação. Seu olhar não refletir a si, tudo bem, só que ele não reflete sequer felicidade. Nenhuma. Isso sim me incomoda. Me desculpe por te falar, sei que uma hora você iria perceber, mas tive que falar.

Não precisa concordar comigo.Só se olhe no espelho e pergunte a sua imagem refletida, olhando bem nos olhos dela: você é feliz?

Depois, não se prive de chorar e não se culpe ou evite me ligar, pois eu atenderei. E eu entenderei. Eu sempre entendi, lembra disso? Todas as vezes que você precisou ser compreendida, eu compreendi. Espero, inclusive, que me compreenda agora e entenda minha preocupação com você. A verdadeira você. E saiba, por fim, que nunca é tarde pra nada, muito menos para ser feliz, de novo. Ou pra ser você, de novo.

Para de fazer selfie, olha pra mim



Para de fazer selfie, olha pra mim. Disse Claudia Leitte a uma fã, no meio de um show. Meio assustador né?

Se tem uma coisa que me irrita nas histórias do instagram é vídeo de gente que se filma cantando música em show. Gente, que saco! Eu tô de boa vendo as histórias, e do nada vem aquele vídeo estrondoso de um ser humano, que no meio de um show, sequer está curtindo o momento, nem mesmo está registrando ele - só tá se registrando (um pouco narcisista, não?).  E ai faz da mão ou do copo microfone e aponta o dedo pra câmera no ritmo da música.

Mas sem querer fazer disso aqui uma simples crítica, lembrei que há duas semanas fui para uma festa e tinham milhares de pessoas fazendo isso. Eu vi, e vi que ninguém tava tão aí pra banda ou o momento, mas tinham vários grupos de olho na tela do telefone que os filmava cantando.

Eu sei que já falei muito dos impactos da tecnologia e das redes sociais nas nossas vidas, mas a cada dia que passa surgem novos temas e polêmicas, é um assunto inesgotável pra se falar.

É absurdo, mas me parece que nossa vida nas redes sociais se tornou muito mais importante do que nossa vida social fora da internet. E com essa importância, a gente desenvolveu uma necessidade de registrar tudo o que acontece de bom no nosso dia-a-dia e ainda aumentar um pouquinho outras coisas que a gente vive. Certamente que como tudo ficou mais visual, as fotos e vídeos ganharam espaço nesse cenário e se tornaram a forma mais popular de comunicação, então a gente se esforça pra abir a câmera do celular rapidinho e registrar o momento.

Mas tudo bem, não tem problema querer tirar fotos e depois lembrar, mas isso se tornou uma obsessão, uma verdadeira prioridade. Afinal, a gente ta vivendo pra gente ou para os outros? Ou melhor, a gente ta vivendo pra viver ou pra registrar?

Esse mês, em um show da Claudia Leitte, uma fã que subiu no palco e teve contato direto com a cantora levou foi um sermão (bem dado), por conta da sua necessidade de tirar mil fotos para registrar o momento. O comportamento da menina chega a ser ridículo no vídeo; a cantora fala com ela, mas a jovem parece só estar preocupada com o telefone. Claudinha chega a puxar o celular da mão da menina, e fala pra ela:

“Sempre que você tiver um momento especial na sua vida, se concentre nele. [...] Olha pra mim, me dá o celular. Quando você viver uma coisa muito especial na sua vida, você me promete que você não vai ficar só no celular tirando foto. Você vai viver isso.  promete? Quando você arranjar um namorado você vai beijar. Quando você encontrar sua mãe em casa você vai abraçar sua mãe. E quando você fizer qualquer coisa muito especial você precisa primeiro guardar no seu coração. Eu fiquei buscando seu olho, você estava olhando pra esse negócio aqui.”

Embora a situação pareça ser um pouco extrema, e a gente jure de pé junto que no lugar da menina faria diferente, é bom parar pra refletir quantos momentos a gente desperdiça se isolando no mundo virtual. É tanta vontade de registrar, postar, compartilhar, mostrar para os outros tudo aquilo que a gente vive, que esquecemos de realmente viver, saboreando cada segundo da vida.

E então as memórias que termos dos momentos se limitarão as nossas fotos. Porque não fica na gente os detalhes do viver, fica só aquilo que a câmera consegue capitar. Claro, não vou negar que as redes sociais são muito importantes para nossa vida em sociedade, mas jamais podemos esquecer que deve ser um complemento (como sempre digo, né?), não uma substituição ao olho no olho.


Agora você sabe dessa tristeza


Tem horas que eu acho que tudo vai desmoronar. Dentro de mim. Estou me esforçando para entender o que está acontecendo comigo, mas parece difícil até mesmo pra pensar.

Além disso, a solidão é praxe. Não há ninguém mais que queira me entender. So ouço as pessoas reclamarem daquilo que demonstro por fora, da irritação, do mal humor, da tristeza.

“Mude essa cara”

A cara não está aqui só por ela, mas como resultado do que estou passando por dentro. Eu quero ficar bem, quero entender o porquê eu não estar bem, e isso me irrita, eu fico triste porque tem um vácuo dentro de mim as vezes. Eu não sei o que está acontecendo, só sei que me sinto só. E não sei fingir sentir algo que não estou.

Você está sabendo agora. Só você. E nada você pode fazer. Cada dia é pior. Cada dia é mais difícil lidar com tudo isso acontecendo dentro de mim. Não estou bem.

E, afundando nessa areia movediça, eu ainda sim sou cobrada a aparentar ficar bem, a não reagir, a mudar o rosto e sorrir, mesmo não conseguindo. Estou depositando meus esforços em entender porque eu estou aqui, mas não sinto que estou aqui. Não em parecer bem. Porque paliativos já são os remédios de enxaqueca, alergia e vitaminas. Quero ficar bem. Por favor, fique bem.

Continuei sem nada


O cartão tá cheio. Meu guarda-roupa também. Comprei o que eu precisava e o que queria. Aproveitei a black friday. Agora estou aqui, olhando ao meu redor o notebook novo, as roupas de marca, a TV que ainda nem coloquei na parede e maquiagem boa. To cheia de coisas novas, mas por dentro, ainda vazia. Isso é muito além de uma ressaca financeira, é uma ressaca moral.

Comprar sempre foi uma terapia pra mim. Pagar, o que me faz levantar da cama às 6:05 da manhã.

Mas hoje, esse sábado que tá um solzão lá fora, eu to aqui dentro de casa, com a janela e porta fechadas e me sinto vazia. De coisas, não. Daquilo que é abstrato, intocável, intangível. Daquilo que não tinha pra vender nas vitrines, nem escondido na loja, por trás das roupas que ninguém se interessou. Não achei online, nem em catálogos.

Então, eu percebi que nem tudo pode ser comprado. Quero contar até a história da minha amizade com a Raissa, que saia comigo todas as sextas e eu dava muitos presentes a ela. Eu sabia o gosto dela, e sempre que via algo que combinasse, me sentia bem em presentar. Era na época que, além de trabalhar, meu pai me dava um dinheirinho extra. Dinheiro fácil, né? Só que eu arrumei meu emprego, meu pai me ajudou no apartamento e me mudei pra viver sob meu próprio sustento. Eu não podia pagar o táxi pra Raissa vir aqui em casa, nem mais o lanche dela ou comprar grandes mimos. Estava passando por aquela transição de vida e ela foi parando de vir aqui e sair comigo, e agora já fazem três meses que não a vejo.

Companhia, a gente até pode alugar, mas não comprar. E pra quem mora só, como eu, é um aluguel muitas vezes válido, mas que vai embora quando a gente começa a chorar de solidão. E ficamos ainda mais sozinhos.

É. Nem tudo pode ser comprado. Inclusive, o amor. O Pedro, poxa, a gente fica em todas as baladas. Mas nada além disso. Pedro já me disse que eu nunca vou passar disso com ele, porque ele não tem esse sentimento por mim. Podemos beber todas juntos, nos divertir nos melhores lugares, mas não podemos nos amar. Não que seja recíproco.

Nem mesmo nosso maior desejo é comprável. Ana, minha prima, não fala mais comigo. Erro meu, erro dela, problemas passados, mas ela não me perdoa. Já dei flores e cestas de chocolates como pedido de desculpas, mas Ana não responde, e quando me vê, passa como se não conhecesse.

E antes que me afunde em lágrimas nesse vazio de mim, nem mesmo eu me compro. Não importa o que eu tenha, nem o quanto eu tenha, mas isso não vai, jamais, me fazer uma pessoa melhor. Essa procura por matéria não trabalha alma. Comprar pode me fazer sentir melhor naquele momento, mas não me traz uma vida completa, feliz, em paz.

E hoje, a black me, sofre. Não quero nem sair de casa com as roupas novas, pra não correr o risco de parar no sinal e ver as crianças pedintes, me sentir ainda pior. Embora, só o pensar já me deixa em um estado crítico. Tanta gente que não tem nada daquilo que o dinheiro compre, mas tem tudo. Enquanto eu, coitada, comprei o mundo inteiro com o cartão, e não tenho nada, porque o essencial à vida humana não é comprável. É conquistável.

Nem meu emprego eu conquistei.

Palavras sobre o amor e a felicidade


Meras palavras.

Te amar. Foi o meu primeiro engano. Aquilo não era amor. Nunca foi amor. Jamais, em nenhuma hipótese, será o resumo do amar. Meu sentimento era outro. E eu achava que era amor. Você me fazia pensar nisso. E machucou saber que na verdade, nunca amei.

Na verdade sempre machucou. E esse é o maior indício de que não era amor. Machucou. Você. Cada jogo mental, cada traição, cada mentira machucou. E todas vezes eu jurei que era amor, porque achava que estava te perdoando; que você merecia meu perdão.

Depois, vivi a ilusão de achar que era culpa minha. Tudo era culpa minha. Todos os detalhes, todas as brigas, todas as palavras. O desamor. Era culpa minha. Eu vivi com esse peso por muito tempo. Eu vivi essa prisão durante todo o nosso relacionamento, e as lágrimas que restaram depois.

Até cair na real, se é que já enxergo por inteiro, porque estive tão machucada que não sei se vi bem. Mas, naquele momento que parei de me culpar, que vi que na verdade nunca foi amor, nem da minha parte nem da sua, que vi que você era o responsável por tudo que deu errado, e por ter dado errado, naquele momento... tudo mudou em mim. Mesmo que não não por completo.

Me senti clara. Me senti, talvez, feliz, enfim. Achava que você era minha felicidade. Ingênua. Aquela garota que pensou, um dia, que você era investimento pra futuro. Que você era meu futuro. Cresceu.

Ainda bem que tudo passa na vida. E essa enganação que vivi com você passou. Esse falso amor. Essa ilusória sensação de ser feliz. Obrigada, porque hoje valorizo muito mais a mim e a felicidade. Obrigada por ter sido o pior, pois agora, vou em busca do melhor pra mim.

Ser
Feliz

A plateia das minhas lágrimas


Eu estava chorando e me perguntaram: por que você está querendo plateia agora?

Me senti vazia. Eu não queria plateia. No máximo, que alguém me entendesse, ao invés de criticar. Ao invés de perguntar por que eu queria plateia. No máximo, alguém que percebesse que era só mais uma injustiça da vida.

Às vezes a gente acha que é tudo exagero alheio. Mas ninguém sabe o que se passa na cabeça de uma pessoa. Ninguém sabe se aquela piada não foi somente uma piada. Ninguém sabe se aquele olhar de indiferença significou muito além. Ninguém sabe se a plateia, era na verdade, apenas um ouvido que faltava. E ele estava ali. E aquilo bastava. Mas tinha alguém que perguntasse se o que faltava era uma plateia.

Quero dizer que nunca quis plateia. Especialmente porque quando a gente dá um show, espera atender às expectativas da plateia. Aprendi que viver bem é viver sob as próprias expectativas. Lidar com as próprias frustrações e fracassos.

Acho que essa é a minha plateia: sentado, me encarando, está cada um dos meus erros. Está cada uma das minhas frustrações. Está minha pequenez. Meu fracasso. Minha fraqueza. É difícil ter que lidar com isso e ao mesmo tempo pessoas que questionem a sua arte. Sua arte de chorar.

O mundo está tão insensível que ver alguém chorando por aí é difícil. Difícil porque a gente fica sem saber o que fazer mesmo. E o que vem à cabeça no pânico da escassez de agir é perguntar: por que você está querendo plateia agora?

Repense e não elogie


Este domingo (08) no Fantástico, tivemos um verdadeiro show de horror. Aqui estou eu para falar de uma das reportagens que vi, que não concordo em nada com ela, mas que uma fala em específica me levou à indignação. Estela Renner, diretora de um documentário que estreia essa semana, critica o ato de elogiar uma menina de "princesa", pois isso seria, segundo ela, fortalecer o esteriótipo de "loira, delicada, branca e de olho azul". Pasmem.

Tenho que dizer, mas a querida Estela atingiu o ápice da estupidez humana, que vêm marcando toda uma sociedade com ideias ignorantes, hipócritas, contraditórias e preconceituosas (e não falo aqui do racismo, mas sim de formar conceitos antes de uma etapa interessante chamada "informação") que se aproveita das pessoas que se contentam em um saber banhado tão somente no senso comum para disseminar esses pensamentos.

Mas, acima de tudo, acho que a querida Estela precisa se atualizar nos filmes da Disney antes de fazer um documentário. Primeiro porque a própria ideia de que princesas são loiras, brancas e delicadas já foi ultrapassado por personagens marcantes como Moana e Tiana, que protagonizam filmes de sucesso mundial. Em segundo lugar porque se eu chamo uma menina de cabelos cacheados, pele negra e olhos castanhos de princesa eu estou reforçando pra ela a ideia de que ela, do jeito que é, é uma princesa. E isso, querida Estela, cria um efeito oposto do qual a senhora prevê.

Eu fico muito indignada em ver as pessoas com tamanha ignorância e falta de informação a ponto de afirmar uma coisa dessas. Pedir para repensar o elogio é tirar o foco do simples "pensar" de onde ele realmente deveria estar: nos diversos acontecimentos ruins que estamos passando no Brasil e no mundo. Elogios, minha cara Estela, não sei se você os recebeu, mas são sempre bem vindos. Não são eles que deveremos repensar, e sim, no que é relevante e útil.

O que devemos repensar é o caminho que a nossa sociedade está tomando, que coincide com as tantas previsões de fim de fundo que estão fazendo por aí. Sim, é o fim do mundo, porque estão se acabando os valores, os limites, o bom senso e o respeito; está se acabando um dom do homem (quer dizer, agora não posso nem dizer "homem", pois estou sendo machista, né? Tenho que dizer "pessoa", porque isso faz muita diferença no meu texto) de pensar.

Está, a sociedade, simplesmente absorvendo informações inúteis, como a que passou na indignante reportagem do Fantástico, e achando que isso é ter opinião.

Então elogiem... elogiem como quiserem: linda, princesa, inteligente, alegre... qualquer elogio faz crescer, inclusive críticas (porque acho que devem ter mudado a genética das crianças da minha geração para a atual, que não podem escutar nada negativo que ficam traumatizadas, ao contrário de mim que escutei muitos consertos dos meus pais e ao invés de trauma, ganhei educação). O que não merece elogios em toda essa história é o declínio da nossa sociedade, que não vale nem a pena falar.

Você nunca mais voltou


Senti seu cheiro. Senti seu cheiro e chorei. Chorei, lembrando de nós dois, de todos os momentos bons que passamos juntos, de como suas mãos tocavam minhas costas e de como eu era feliz com você. E você sabia, e dizia que eu nunca mais iria querer viver sem você. E você quem não quis mais viver comigo.

Você se foi, levou minha felicidade e um pedaço de mim que eu tinha te dado para cuidar. Fiquei, então, com um buraco dentro do peito, porque você também levou a si, me deixando sem ti.

Eu já perdi a conta de quantas vezes me deitei no meu quarto, me encolhendo da tanta falta que você faz nos sábados à noite. E nos domingos de tardezinha. Muita coisa parece não mais fazer sentido em mim, nem em você, mas o "nós dois" faz. E muita. E faz falta também.

Você bem que podia voltar. Voltar por inteiro, porque seu sorriso aparece muitas vezes nas lembranças que guardo em mim, no gosto do café, no macio da minha cama e no seu cheiro que ficou exalado no meu coração e só me lembra você, tudo é você. E tudo isso me faz doer.

E você disse que não queria me ver sofrer quando foi embora. Sei que esperava que eu iniciasse um novo capítulo da minha vida, mas tenho lido e relido aquelas últimas palavras que ficaram na minha cabeça quando você disse adeus. E nunca mais voltou.

Eu me pego te esperando às vezes nos sábados. Lembro que deitava com o notebook aberto pra ver algumas séries até que você chegasse aqui em casa. Quando chegava, assistíamos um filme com pipoca e guaraná e saíamos pra lanchar. E agora os episódios passam e você não chega. Não chega.

Nem queria estar te esperando. Mas, contraditoriamente, queria que você voltasse. 

Hoje acordei bem


Ontem eu não estava bem. Tudo começa com uma noite mal dormida, um acordar pesado e a sensação de que seu dia começou do lado errado. Tá na moda dizer que um bom dia cada um faz o seu, mas tem dias que não estamos pra vida. Acontece. Acordamos, quando na verdade era melhor ter passado o dia na cama, de lá nem saído.


No entanto, eu sou uma mera mortal, que, de segunda a sexta, tem que acordar cedo pra trabalhar - falando nisso, ta aí uma coisa que nunca vou me acostumar: acordar cedo. Quase não deu pra acreditar que eu tinha que levantar da cama pra viver. Não dava pra ficar nem mais 5 minutinhos, e que saudade de quando eu podia ficar mais vários 5 minutinhos.

Mas a gente coloca o pé no chão e leva o dia nas costas como um saco bem pesado quase pocando. E aguenta, viu? Porque até voltar pra casa é uma batalha quando passamos por dias assim. Mas a gente luta e sobrevive. E esse termo é muito perfeito, pois a gente faz um pouquinho mais do que "viver" pra enfrentar esses dias. É "sobre-viver" mesmo.

Em dias assim, até quem toma rivotril pra dormir, cai no sono sem nem pensar no dia. E até até bom; evita ter que reviver tudo novamente. E nossa existência se perfaz de dias assim pra que amemos todos os outros dias que estamos bem. Hoje acordei bem. Não é "normal", é bem. E devemos aprender a valorizar nosso "normal" para o enxergarmos como "bem". E por isso que dias cinzas são tão interessantes para nós; pra não cair na rotina, pra sentir a vida, pra valorizar o "bem".
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