Plante-se pelo mundo


Somos como árvores, porque a vida é como uma também.  Mas saímos andando por aí  espalhando nossas sementes, mostrando nossos frutos, e plantando “nós” aonde quer que passamos. Assim, criamos novas raízes quando nossas sementes conseguem se infiltrar e fazer com que uma parte da gente floresça em algum lugar afora. E o vento ainda se responsabiliza em levar mais de nós para onde nunca estivemos antes, e não saberemos que ali, aquele jardim tão bonito, pode ser fruto nosso.

Há de se pensar sobre a responsabilidade do que somos, ou melhor, do que deixamos transparecer de nós. Frases do tipo “você só vê o que eu escolho para te mostrar” me leva a refletir se hoje as pessoas têm preguiça de mostrar suas qualidades ou acham lindo todas essas faixadas, que pelo menos, eu não gostaria de ter. Ou então elas não têm nada bom para mostrar mesmo, quem sabe?

Mas a discussão é sobre isso tudo que optamos exibir. Eu escolho mostrar o melhor de mim, sem negar meus defeitos, mas procurando fazer com que minhas qualidades se sobreponham.  Qualquer pessoa, da maneira que escolhe se mostrar ao mundo, faz do seu jeito e de seus pensamentos sementes que prometem frutos. Há quem nos interprete mal e danem-se esses! Cada um tem a consciência do que é (e do que mostra ser).

A responsabilidade de nossas atitudes, principalmente quanto as palavras (que não deixam de ser atitudes) estão sob nossas costas. E tudo o que fazemos tem uma consequência. Por isso que precisamos ter atenção ao que estamos deixando involuntariamente pelo mundo.  Tem gente que aonde vai leva alguma coisa ruim consigo, plantando sementes desagradáveis que apodrecem, e esta é a marca dessas pessoas no mundo. Um dia elas vão colher aquilo de ruim que plantaram. Outras, entretanto, conseguem criar raízes boas e profundas por onde passam, deixando um bom pedaço de si no olhar das pessoas e consentindo que o vento permita que um novo  jardim belo floresça.

Muitas vezes a gente não entende o caos que o mundo está hoje; essas tantas coisas ruins que andam acontecendo. E se isso clarear algo para você, pense nesses desastres como uma reunião de sementes trazidas pelo vento de árvores ambulantes que não tinham nada de bom para mostrar. Ou que tinham e escolhiam não fazê-lo.

Para quem anda plantando o amor, a semente mais simples, pura e preciosa, a solução não é desistir. É continuar plantando. Pode parecer não dar resultados, mas tudo se trata de paciência. Essa semana aprendi que, exatamente como as flores, o amor exige tempo e cuidado para depois de muita espera florescer. É delicado o tempo que cuidamos de algo que não traz feedback inicialmente, mas se também plantarmos a paciência, a linda flor prospera. E então colhemos o que plantamos. Mas eis a diferença entre o amor e as flores: o amor não tem época. Depois que floresce, ele vai ser sempre aquilo que deixa sua vida mais alegre e bonita. Mas claro, exigindo cuidados e dedicação constantes.

Desse modo temos que pensar sobre nós, como indivíduos únicos e também como partes de um conjunto. Seu julgamento é plenamente um privilégio seu, mas aquilo que você deixa como legado interfere no mundo mais do que você imagina. A lição é plantar o amor e ter a certeza que tem um pouco de você nas coisas boas que andam acontecendo por aí. Não ter medo de ser uma árvore, e espalhar suas sementes, deixando algo bom em todos os lugares que um dia já esteve.

"Cada um que passa em nossa vida passa sozinho, pois cada pessoa é única, e nenhuma substitui outra. Cada um que passa em nossa vida passa sozinho, mas não vai só, nem nos deixa sós. Leva um pouco de nós mesmos, deixa um pouco de si mesmo. Há os que levam muito; mas não há os que não levam nada. Há os que deixam muito; mas não há os que não deixam nada. Esta é a maior responsabilidade de nossa vida e a prova evidente que duas almas não se encontram por acaso." - Antoine de Saint-Exupéry

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