As cicatrizes do meu coração


Depois de um coração machucado, a gente começa a ver todo o mundo de uma maneira diferente. A gente cai, e do chão todos os problemas parecem maiores, os obstáculos mais complicados e nós, pequenos. Quando investimos tempo, sentimentos e principalmente nós mesmos em algo que não dá certo, tudo aquilo que está ao nosso redor parece inútil. E isso inclui o tempo, nossos sentimentos e nós mesmos.

É impossível que durante nossa vida não tenhamos uma cicatrizinha no nosso coração. Seja por um "amor", um "amigo" ou qualquer outra coisa que precise estar entre aspas; seja por uma briga ou desentendimento. Todos nós estamos dispostos a quebrarmos e termos o coração quebrado; tudo isso porque convivemos com pessoas que pensam e vivem todas de maneira diferente, têm histórias de vida diferentes e sentimentos. Tudo isso porque não criaram nenhum manual de como aprender a lidar com seres humanos e temos que aprender por conta própria, e a decepção é parte deste aprendizado. Assim como os machucados.

Mas eis onde entra o "saber viver": decepcionar-se e ser capaz de levantar e usar a decepção não como desculpa para uma derrota, mas como incentivo para seguir o caminho com os pés firmes. Claro que quando envolvemos sentimentos em qualquer que seja a situação, frustar-se interfere no nosso estado mental, e torna o seguir em frente mais difícil. Depois de um tempo, todas as pessoas parecem iguais, você se acostuma a estar pra baixo e não faz mais questão de sentir aquele sentimento. Mas isso é render-se.

É preciso tentativas. Todo sucesso vem de inúmeras derrotas, sempre seguidas de um "eu acredito". Uma hora, você vai achar alguém que vale a pena sentir aquele sentimento. Logo, um amigo ou amor não precisará de aspas, e sabendo levantar da maneira certa, qualquer briga ou desentendimento será resolvido.

E quanto as cicatrizes e remendas no nosso coração? Bem... Elas permanecerão lá. Como um lembrete, que tanto nos remete a tudo que foi vivido, quanto nos suplica dar o valor correto ao que conquistamos. Essas marcas são, na verdade, provas de um "saber viver", e sem elas, seguir em frente não seria uma atitude tão sábia.

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