Em busca do "eu"


E quando a gente olha no espelho e não se vê mais? A gente consegue ver um pouco daquela celebridade ali, um tanto do que uma blogueira recomendou no seu blog, alguns detalhes da Natália, aquela sua amiga que diz pra você se sua roupa está boa pra sair, alguns traços do que sua mãe acha legal e algo de qualquer outra pessoa do mundo. Mas não de você.

Afinal, o que é você?

Por um lado, tem toda essa problemática de quando somos uma misturinha de tudo, por outro, tem gente entrando em uma vibe de não se definir, e eu realmente não entendo isso. Acredito que deste modo estamos lidando com lados muitos extremos que podem ser perigosos. Tudo bem acabar com essa coisa de esteriótipos, as pessoas são quem elas querem ser, deixa o mundo pra lá (!), mas não podemos entrar nessa de "não me defino". De verdade, a pior coisa que já escutei na minha vida inteirinha foi uma celebridade dando uma entrevista e quando perguntaram o maior defeito e a maior qualidade, ela afirmou: não me julgo.

COMO ASSIM, PRODUÇÃO?

Se você não se julga, você vai deixar que o mundo faça isso? Porque alguém precisa fazer! Precisa porque é assim que o mundo se move! Ninguém é perfeito, ou tem uma vida perfeita, e se você não se julgar para analisar como vai a sua vida, o que precisa ser mudado, como você vai caminhar pra frente?

Calar o mundo também não funciona. Concordo que tem muita gente por aí que vai falar de você só com o intuito de te colocar pra baixo, mas ouvir o que as pessoas - aquelas que realmente gostam de você e querem seu bem - têm pra dizer pode lhe ajudar nessa busca por ser melhor.

Mas aí que entra a pergunta: Melhor pra quem?

Tem que ser melhor pra você mesmo. Você nunca vai agradar todo mundo. É nessa tentativa de ser quem as pessoas gostariam que fossemos que acabamos perdendo nosso "eu" e olhando refletido no espelho uma mistura de tudo, mas nada que nos defina de verdade.

Por isso temos que ter cautela com esses dois extremos. Não podemos ser nem 8 nem 80, nem essas pessoas que são tudo, nem as que não querem se definir. Precisamos encontrar um equilíbrio, e só fazemos isso quando deixamos a preguiça de lado e encaramos a profunda missão de mergulhar em si mesmos para promover o autoconhecimento.

Ou seja... temos que viver em busca de nós. Realmente não somos seres definidos, somos definíveis. O que isso quer dizer? Não existe nada de absoluto dentro da gente, e essa é a graça... Podemos escolher quem queremos ser, portanto que essa busca venha de dentro, não baseada no que as pessoas pensam, esperam ou querem de nós.

Essa busca do "eu" é algo que cabe somente ao dono deste pronome. Não é uma questão gramatical, mas de semântica. É preciso buscar esse "eu" e ao mesmo tempo permanecer olhando para o espelho sabendo que ali se está diante de uma pessoa única e singular: você. E o significado de você, só você sabe... e mesmo assim ainda tem muito o que descobrir.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários sujeitos a moderação.
Será excluído qualquer comentário que declare preconceito ou que seja ofensivo e pejorativo.

CF/88: Art. 5°, IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

Camille Reis. Todos os direitos reservados.©
Design e codificação por Sofisticado Design