Mania de mentir


Quem imagina que a mentira não pode lhe levar a algum lugar, ou melhor, que não pode paralisar seus caminhos está enganado! É preciso refletir a real necessidade da mentira, pois rotineiramente ela é usada para garantir um convívio social harmonioso. Mas o problema está instalado quando ela se torna uma verdade para o seu criador, caracterizando assim um distúrbio chamado mitomania, a mania de mentir. A mentira corriqueira tem objetivos práticos, mas a mentira doentia, àquela que faz parte da vida do mitômano, tem sempre a finalidade de suprir lacunas da vida, preencher vazios existenciais, sempre com o objetivo do engrandecimento do ego do mentiroso. Por essa razão, quem se utiliza dessa prática provavelmente se sente inferior, inseguro, limitado e tem baixa autoestima.

A mitomania pode ter seus primeiros sinais na infância quando a criança não consegue conviver com as frustrações, ou quando precisa sempre exagerar os acontecimentos quando se sentir injustiçada, fracassada ou deprimida, usando as mentiras como forma de compensação, “já que levanta o moral por um tempo”.

Para quem de vez em quando se pega contando uma mentirinha sem consequência negativa, fique tranquilo porque não caracteriza evidência de distúrbio. O grande problema é quando se descobre que seus argumentos não são verdadeiros, deixando assim um saldo de vergonha para administrar. O mitômano acaba convivendo com isso naturalmente, pois sempre acaba criando outros problemas para a real situação que ele próprio se colocou. É desgastante, intensifica o sofrimento e o sentimento cada vez mais passa a ser negativo.

Melhor seria se buscássemos sempre a autenticidade e a valorização própria, pois mesmo que vivamos “a verdade dói”, é dela que nossa essência se abastece, enfrenta os conflitos, aprende a conviver e amadurece, e faz desse caminho reto e certo, a estrada real em busca de vivermos em harmonia conosco e com os outros. Quem não consegue enfrentar sua própria vida sem “aumentá-la” ou engrandecer os fatos, o melhor caminho é a terapia, oportunidade de um mergulho interior para identificar o que precisa ser aceito e mudado. E quando chegarmos ao ponto de assumirmos nosso eu, nossa culpa, nossos erros e acertos, seremos autênticos seres humanos abertos e expostos ao aprendizado da vida, e dessa forma, ousando seguir, deixando solto, o amor alcançará!

Rita Reis é psicóloga. Sua coluna "Deixando Solto" traz temas da realidade que nos leva à reflexão. Mande sua sugestão de tema em contato e no campo assunto  coloque "Para: Ritinha - sugestão de tema". Saiba mais sobre Rita na página da equipe e acompanhe o blog para ver mais textos desta diva!

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