Cícero e um mergulho em "A Praia"


Cícero acaba de lançar seu terceiro disco (disponível para donwload em seu site) e eu demorei uma semana para digerir, formar uma opinião e pesquisar um pouco o que a galera estava falando dele por aí, e só então vim falar um pouco sobre A Praia pra vocês! Quem ainda não conhece o trabalho do cantor, leia nosso post para escutar as músicas dos álbuns anteriores e se apaixonar que nem eu.

Primeiro de tudo, quem acompanha o Cícero no instagram (e seus posta-apaga de fotos) deve ter visto que quando ele estava na turnê no final do ano passado, ele postou uma foto de uma praia quando passava pela Bahia. Achei super interessante o detalhe que ele deixou para os admiradores do seu trabalho, eu adoro essas fofuras de artista! 

Um dos maiores nomes da "nova MPB" encantou e conquistou muitos fans em seu primeiro disco, Canções de Apartamento (2011) que explodiu na internet. Suas músicas intimistas, construídas no colorido de uma solidão abriram espaço para o menino Cícero, que falava de balões, sonhos, pipas e amor dentro do próprio apartamento. Depois, Sábado (2013) veio com um estilo mais "clean", trazendo uma introspecção mais profunda, abrindo-se para o mundo com o céu, ruas, aviões, a cidade e um "desânimo real" como descreveu o próprio cantor. O segundo disco é marcado por arranjos mais elaborados e letras mais escassas, um estilo muito diferente do encontrado em 2011, o que desanimou muitos fans.

Eu, em particular, gosto dos dois. Acredito que em Sábado Cícero aborda um público diferente daquele que foi alcançado por Canções de Apartamento, trazendo uma perspectiva mais culta, mais madura, mais fundada na língua. E eu amo as brincadeiras que ele faz com ela em suas poesias.

Agora chega A Praia, superando todas as expectativas. Muito se perguntava qual tendência Cícero seguiria em seu terceiro álbum, e agora, sem duvida alguma podemos dizer: A Praia é uma mistura fantástica de Canções de Apartamento e Sábado. A melodia do segundo disco se funde com as letras cheias de sentimentos do primeiro, e ainda com alguns elementos cotidianos de Sábado e nos apresenta um resultado sensível e muito bom de ouvir.


A capa já nos deixa uma vontade de mergulhar em suas músicas. De início eu fiquei em dúvida se gostei ou não, tanto é que muita gente ficou sem saber se essa era mesmo a capa do álbum; e realmente é muito simples, mas não encontro uma palavra melhor (além de "fantástico") do que simples para descrever Cícero.

A primeira música do disco, "Frevo Por Acaso Nº2", é uma continuação da última música de Sábado: "Frevo Por Acaso", e claro, é brilhante essa ligação selada entre os dois álbuns. Na primeira canção, temos uma letra predominantemente questionadora: "Como cê tá? Cê tá legal? Como cê vai? Cê vai também? Cê tá melhor? Cê tá em paz? Tá tudo bem? E o que que a gente faz daquela angústia?", enquanto em "Frevo Por Acaso Nº2", temos uma poesia completamente afirmativa e que também me lembra muito o estilo de Sábado ao falar da vida cotidiana.

Em seguida, vem a música mais fofa do álbum: "A Praia". Se a voz de Cícero já é doce e desliza no ouvido feito algodão, na segunda música do álbum Cícero nos dá vontade de fechar os olhos e sentir aquele sentimento que ele nos traz em uma letra repleta de romance e doçura. 



Eu fiquei encantada quando vi que tinha um soneto no encarte! Em "Soneto de Santa Cruz" vemos a valorização do corpo da letra, como no primeiro álbum do cantor, e o conteúdo da letra lembrando o segundo, realmente mostrando para nós que não existe essa distinção de Cícero do Canções de Apartamento e Cícero do SábadoA Praia quebra toda essa parede ao misturar características dos dois álbuns. Ainda temos mais desse mix bem presente em  "Camomila", "O Bobo" e "Albatroz".

A Praia também trouxe novidades. Primeiro a pegada de forró na música "De Passagem", que conta a história de um encontro passageiro de amor. Temos também "Isabel (Carta de um Pai Aflito)", com um toque mais moderno, e "Cecília e a Máquina", cantada por Luiza Mayall e predominantemente instrumental, diferente do restante do disco, mas bastante comum em Sábado.

Cícero encerra seu disco com "Terminal Alvorada" que nos apresenta uma mensagem positiva de maneira sutil, ainda com a sua voz que derrete nos nossos ouvidos. Eu podia ser bem mais profunda falando dele, mas o post iria ficar enoorme (mais do que já ficou).

Agora é só ficar na torcida para ele passar por Maceió novamente nesta sua nova turnê, e já prometo fazer um post cheio de imagens com frases de A Praia, como fiz com os outros álbuns. Até agora só encontrei uma imagem com uma frase de "Terminal Alvorada" e já postei no nosso instagram (@reis.camille).


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