A bailarina


Quem quiser ver, veja, mas ela dança para si. Não precisa de aplausos, nem de elogios. Mas faz por merecer. Dança como se seu corpo servisse somente pra esse prazer. E conversa um pouco consigo mesma em cada passo. Deixa na dança um diálogo daqueles que a gente quer que não tenha fim: bom papo de quem sabe o que faz e deixa um gosto mágico de bis. "Queremos mais!"

Quem a ensinou a se movimentar com a alma? Quem diminuiu a gravidade pra que ela pudesse dar esses saltos como quem voa?

E quem pensa que ela sabe dançar no palco, precisa ver a sua dança da vida. Sorri da mesma forma; dessa forma de quem tem a paz de fazer o que gosta com cada partezinha do seu corpo. Se for preciso, ela gira quantas vezes for, ela se equilibra por inteiro, ela salta tudo o que vier, ela se deixa dançar. E o melhor de tudo é que ela se deixa ser olhada.

De tanto amar, se amar e amar a dança, ela torna cada passo um resumo do amor. Deixa todo mundo na dúvida se é melhor olhar para os olhos dela e sentir tudo isso ou para a ponta dos pés que toca o chão religiosamente.

Por favor, alguém coloca a música de novo? Coloca ela de volta no palco que eu quero passar a noite toda a olhando dançar. Ela, que dança cada segundo de uma vez, vive cada segundo de uma vez, dança cada vida de uma vez, vive cada dança de uma vez, só pode ser a mais evoluída das criaturas: uma bailarina.

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