Amar é para os fracos


Aquilo é extremo. É um nível catastrófico de amor. Ela precisa ser exorcizada, tirar de si todo esse amor, expulsar o que com ele habita dentro dela. Todo mundo que olha, já vê alguma coisa diferente nela. Tem gente que comenta: "essa menina ama demais." Chega da pena! Ela exagera, aumenta, excede a normalidade. E tudo isso pra que? Tem um objetivo em todo esse amor? 
Ela ficou assim desde que percebeu que o mundo está perdido. Ouviu uma amiga dizer que amar era para os fracos e lá se foram todas as suas forças. Desejou, a partir de então, se tornar a pessoa mais fraca e vulnerável desse mundo. Mas é um exagero. Ela é o céu em pessoa. Imenso demais, questionado demais, extremo demais. Assim como o céu, às vezes ela acorda chovendo e as vezes queimando de calor com o sol em seu sorriso. E tudo isso pelo amor exacerbado. Desnecessário!
Sendo assim, tão indefesa, ela agora vive nessa hipérbole da vida. Um extremo só: o amor. Ela prefere nem ver as notícias, mas soube que esse mês teve alguns ataques terroristas. Mesmo assim, ela ama esses terroristas e pensa assim: se mais pessoas os amassem também, ou pelo menos a maioria, eles não seriam terroristas. Se eles amasse, ou sentissem o amor, não fariam isso. Esse é o outro extremo, de acordo com ela. O forte né? O lado extremo à fraqueza do amor. O desamor é somente para os fortes, afinal, precisa ser muito forte para ter a audácia de não viver o prazer do amor.
Mas ela se nega a ir tirar esse amor. Prefere a catástrofe que sofre no peito por amar tanto assim a que ela poderia causar no mundo se fosse mais uma que não amasse; afinal diz a bíblia que o amor é sofredor. Ela está indo pelo caminho certo, então. Amar e amar tanto assim é para os fracos. Ela nem liga mais quando dizem isso, pelo contrário, agora, ela responde: então sou fraca porque te amo.

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