E se celular causasse dependência?

Eis o que eu penso das pessoas que tiram a seta azul ou a ultima visualização do whatsapp: elas são independentes. São um patamar acima de todos os meros mortais que não aguentam não saber se a pessoa visualizou a mensagem ou quando esteve online pela última vez. Evoluídas, elas são fortes o suficientes para não precisar de uma futilidade de tal tamanho. São ademais, confiáveis; do tipo que a gente implora por um conselho.

Ouvi, essa semana, que era um absurdo a dependência que o celular causava nas pessoas. Mas o celular não é uma "droga" que causa dependência. Pra quem quer ouvir a verdade, o problema não está no celular, na internet, na tecnologia. Pelo contrário, são instrumentos criados para facilitar a nossa vida. O problema está nas pessoas. Elas são dependentes do celular por culpa delas, pois não tem autocontrole, são carentes e de pouca vida real.

Não estou julgando ninguém, nem condenando quem não passa um dia sem celular. Só estou apontando uma reflexão que seja fora do senso comum; esse deixa muito fácil colocar a culpa no smartphone. E enquanto os eletrônicos ficam cada vez mais inteligentes, nós, mais burros.

Hoje, temos uma grande quantidade de pessoas (e quem acha que é só jovens atingiu o ápice da ignorância, me desculpe) que se deixam ser dependentes do telefone. Claro que o mundo virtual é maravilhoso e oferece muitos benefícios, mas com certeza o mundo real é muito melhor. Principalmente quando o completamos com o virtual. Por isso não devemos substitui-lo, e sim, completá-lo.

Como foi dito, o problema está nas pessoas, não no celular. Alguém que é dependente, é dessa forma, não por culpa dele, mas por própria responsabilidade. Se não for o celular, será depende a uma situação, a uma pessoa, um medo, ou qualquer outro vício. Se o celular fosse o causador da dependência, todo mundo que usasse estaria viciado (como acontece com as drogas) o que não é o caso.

Exercitar o auto-controle é fundamental para essa tal independência. A dependência da seta azul do whatsapp é, ainda, muito além de estar descontrolado em termos de tecnologia. É necessitar controlar o uso da outra pessoa. Eu fico agoniada quando vejo alguém que não quer abrir o whatsapp porque não quer responder alguém, mas também não quer fazer a desfeita de deixar registrada a visualização mais recente que o recebimento da mensagem. Isso demostra a obsessão que levamos conosco por conta desse uso abusivo, descontrolado e exagerado dos meios eletrônicos. Não estou dizendo que todo mundo que usa o acessório do whatsapp é viciado, só que precisamos repensar como estamos levando essas facilidades para a nossa vida.

A que ponto chegamos? Trocamos o olho no olho pelo olho no celular. Juramos que estamos cada vez mais próximos, mas vejo um mundo cada vez mais sozinho. Fácil conectar uma rede wiifi, é só ter a senha. Difícil, hoje em dia, é descobrir como se conectar com o outro, principalmente depois que desaprendemos a viver tanto assim. Enquanto sabemos o que um amigo fez durante o dia através dos seus vídeos no snapchat, perdemos a oportunidade de perguntar como foi o dia dos nossos pais na hora do jantar. Estamos ocupados demais clicando naquele fantasminha. E não há figura melhor para descrever nossas relações atuais: andamos loucos demais falando com fantasmas e deixado de lado quem está aqui agora.

Por isso que eu admiro essa galera evoluída que não precisa da seta azul ou da ultima visualização; esse povo que vive a vida real e só usa o celular pra dar um gostinho a mais; essa gente que pra viver, depende da felicidade, não de um aparelho ou de qualquer outra coisa a que condicionamos nossa vida. Aqui, nesse fim, vamos reconhecer: o celular não é uma droga e já tem tanta gente viciado e dependente dessa forma, imagina só se fosse.

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