O mar e o amar


No imprevisível mar que tocava meus pés, eu amava. E andava. Amava e andava. E andava mais um pouco. E amava, mas muito. No azar de meus passos eu parecia afundar sempre na mesma areia e olhar para aquele mesmo horizonte que ofuscava. E, como se cada passo fosse um começo de um era, eu deixava um passado pra trás. Um passado, que assim como todas as minhas pegadas, deixou marcas que só o mar poderia apagar no tardar dos instantes.

Eu posso ter deixado um pouco de mim misturado com a areia que grudara nos meus pés, mas tudo o que era essencial não conseguia ser levado pela maré. O que de novo tem no agora? O mesmo horizonte, a mesma areia e o imprevisível mar. Eu, dando aqueles passos fundos e cheirando a maresia.

Pra quem ama, ao contrário, não deixe que o tempo passe sem que cada segundo seja primeiramente cheio de amor. A brisa toca todo mundo que se deixa tocar, mas o amor só toca aqueles que se deixam amar. Só que do mesmo modo, como um sopro, ele se passa por inteiro quando esquecemos que a carta coringa vale por qualquer outra carta do baralho. Pra quem ama, o grande amor vale mais do que qualquer outro ser. Porque é ele que nos trás o ser feliz.

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