Quando não dá pra fugir


A fuga sempre foi minha resposta imediata para as mais diversas situações. Quando alguma coisa desagradável invade minha cabeça, meu instinto é correr. Trancar a porta do quarto, mudar o lado da cama, sair correndo pra casa, desligar o telefone. Eu sempre fui assim: uma vontade enorme de apertar o botão power e me desligar de tudo.

Aprendi com as quedas a ser indiferente às coisas alheias. Primeiro fugir pra sentir, sentir e sentir, mas voltar avulsa daquilo que ousou me incomodar. Sigo em frente com muita facilidade por conta disso.

Depois de tantas fugas, percebi uma coisa interessante: fugir pode não lhe levar a lugar algum, mas também pode lhe levar a um lugar extremamente interessante. Depende do que fazemos com essa fuga. Depende para onde fugimos ou o que faremos enquanto estamos nesse lugar.

O fato é que ter um lugarzinho especial que funcione como uma bolha para todas as coisas ruins é essencial para esvaziar nosso coração dessas coisas que pesam o coração. Não coleciono mágoas, palavras ofensivas, raiva nem dor. Sinto cada uma delas, mas prefiro as deixar irem embora. Não dá pra viver acumulando tanta coisa negativa no peito. Meu coração recebe tudo, mas só guarda o que faz bem.

Quando não posso evadir, fico com a sensação de estar cheia. Como um balão que se enche de ar e não consegue (ou melhor, não deve) explodir. Me sinto como uma criança perdida que não encontra o caminho de casa. Não dá pra fugir. E isso me incomoda além do próprio motivo que me faz querer fugir.

(mas estou escrevendo e juro que assim melhora – escrever também é uma fuga pra mim).

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