Amor de bar


Lara me ligou para irmos a um bar. Eu disse que não, expliquei que não estava no clima, não tava muito a fim, queria ficar em casa e ver mais um episódio de Arrow, escrever uma bobeiras e madrugar na televisão. Ela reclamou, claro. Disse que ficar em casa não ia me levar a lugar algum (como se não fosse óbvio), e que eu nunca iria arrumar um namorado assim. 

Deus do céu, Lara! Entenda! Eu não quero um amor de bar! Não quero um amor que só me ligue (talvez) depois de três dias porque quer imaginar minha apreensão durante esse tempo; que se faça de difícil. Nas minhas terças eu tenho coisa melhor a fazer do que esperar ligação do cara de sábado. Não quero um amor que me pague uma cerveja, quero um homem que pague minha entrada do cinema. Sou assim. Não gosto de caras que falam de academia ou da festa de sexta-feira. Eu quero aquele que fala de séries e não pesa a batata doce antes de comer.

Pra quê eu quero um beijo de alguém que coloca perfume a procura de uma piscadinha no bar? Quero é sentir frio na barriga depois de tombar com alguém na livraria e pedir desculpas com os olhos brilhando. Ô Lara, entenda. Não estou nessa fase de ficar até tarde na rua com o coração vagando de mesa em mesa esperando um olhar de volta. Estou sem paciência para essas futilidades de querer amar. Não preciso de um amor de bar. Preciso de um amor de verdade.

Amor de verdade, que vem quando a gente não quer, não espera nem vigia. Esse amor que chega a arder e pra mudar todos os domingos. Esse amor baixinho, que nos torna inteiros a cada metade. Não quero o amor que as amigas gostam de ouvir, quero aquele que as enjoe, canse. Amor de bar é que nem petisco... não enche barriga, Lara, só engana!

Pode ir sem mim. Por hoje, vou ficar em casa. Não preciso de alguém que não tenha nada a ver comigo só pelo desespero de amor. Se for eu um bar que eu vá encontrar o amor da minha vida, eu prefiro ficar sozinha mais essa noite. Nada contra os bares, só prefiro o sussurro calmo de um amor que chega sem que percebamos. Um brinde ao amor verdadeiro. Com guaraná zero. 

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