Construir-me


Desculpe, falou comigo? É que minha audição é seletiva, eu só consigo ouvir coisas construtivas. Sei, eu sei muito bem que coisas construtivas não são somente coisas boas. Pelo contrário, uma boa crítica é, na maioria das vezes, muito mais válida do que milhões de elogios. O que escolho ouvir não são bajulações, são palavras que me constroem uma pessoa melhor.

É nisso mesmo que acredito: nós, seres humanos, somos obras eternamente não terminadas da vida. Somos uma construção infinita, nascemos uma tela em branco de frente para o maior artista. Quem é esse artista? Nós mesmos. Somos a tela e o artista, a música e o músico, o escritor e as letras. Nós somos um tudo perdido no meio do nada.

Algumas vezes na vida nos encontramos. Olhamos diante de um espelho raro e percebemos o grande coliseu que somos. Na maioria dos dias, encontramos com outras obras inacabadas. Algumas, juramos que estava completa, mas em algum momento nos damos conta de que somos todos iguais: intermináveis.

Para continuar essa construção, precisamos depositar todo o nosso coração na grande obra de arte que formos escolhidos para fazer, mas também precisamos das outras pessoas; das pessoas que amamos e que nos amam, as pessoas que nos ajudam e esperam ser ajudadas, as pessoas que nos machucam e são machucadas, as pessoas que nos curam e esperam ser curadas. Nossa construção é uma infinda troca de tijolos, pincéis e notas musicais, seja lá o que for.

 O "outro" é muito importante para a nossa construção. Por isso que pessoas que não nos constroem nada, não devem ocupar um lugar na nossa vida que cabe à quem nos quer ver crescer. As pessoas que destroem ainda mais. Essas pessoas estão  já destruídas, e ao invés de procurarem formas de se reerguerem, elas escolhem uma forma mais fácil de serem iguais: destruindo os outros. Procuro sempre viver rodeada de bons engenheiros, músicos e escritores.

Desculpe se não te ouvi. Essa é minha escolha.

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