Eu e a terapia


Mãe, se você estiver lendo isso, por favor, não me diga "eu avisei".

Essa semana comecei a terapia. Por conta própria. Passei a minha vida inteira dizendo que esse tipo de coisa podia ser bom para muita gente, mas para mim não tinha o mesmo efeito. Não gosto de falar de mim, dos meus sentimentos (não me perguntem como escrevo!), dos meus problemas, dificuldades e preocupações. Reservo isso a mim, pois é uma limitação.

Minha mãe é psicóloga e sempre me pediu para fazer terapia. Mas eu nunca quis. Uma vez tentei, não gostei da mulher (eu quem era a terapeuta dela), e nunca mais quis voltar. Até que a vida deu seu jeito de me mostrar o quanto isso  era importante pra mim. Minha vida apertou. Tudo ficou diferente, confuso, extremo, desinteressante e triste (acho que já deu pra perceber nas últimas crônicas). Me vi em um beco em que a única saída era pedir ajuda. Eu já havia me esgotado e a vida está tão corrida que ninguém conseguia reservar um tempo para perceber que eu não estava bem.

Eu tive que recorrer a psicologia. Sozinha, pesquisei sobre as abordagens, escolhi uma (que minha mãe ama), liguei para algum lugar perto de casa e marquei. Eu queria alguém pra conversar, pelo menos para me escutar. Mesmo que fosse uma péssima profissional como a antiga que só falava da própria vida, mas eu precisava que alguém pudesse ajudar a eu me reencontrar.

Estou falando tudo isso, mas adivinhem só... fui somente a 1 sessão. E já me sinto mais eu. De imediato, saí de lá com um pingo fino de felicidade porque tirei todo o peso que estava carregando sozinha. Ao menos alguém, mesmo sem entender, sabia de tudo o que estava se passando ao meu redor. E isso me bastou. A sessão quase toda foi eu tagarelando sobre mim, o que eu realmente nunca me imaginei fazendo, mas as poucas palavras que a terapeuta falou, já me ajudou a descarregar um pouco do peso da angústia que venho sentindo.

Ela me ajudou a ter outros olhos. Um olhar diferente é uma postura que sempre procuro, principalmente valorizando sempre o lado positivo das coisas. E foi o que fiz o tempo inteiro: ignorei o negativo. Até que ele me tomou de vez. Com tudo. E me aprisionou nas coisas que ignorei por tanto tempo.

Agora que estou prestes a me redescobrir, já sinto um leve ar de liberdade. Não tenho mais medo da infelicidade como antes e estou me permitindo sentir mais e falar mais de mim, pois vi o beneficio que é desabafar além dessas linhas que sempre escrevo. Já está marcada a próxima sessão.

Mas tudo isso que falei não foi sobre minha vida. Foi sobre a importância da terapia. Não é coisa de louco, nem de quem é doente nem depressivo. Para esses ela é importante, mas mais do que isso, para pessoas "normais", a terapia também é extremamente importante. A vida nos engoliu. Acontece que passamos por cima de nós mesmos muitas vezes por conta desse corre-corre e deixamos pra lá, ou não paramos para entender certos pensamentos, comportamentos e atitudes. E com a ajuda de um profissional competente conseguimos nos entender e entender o mundo ao nosso redor.

Estou maravilhada com a profissão (sempre quis entender a mente humana) e com o efeito que somente 1 sessão está fazendo dentro do meu coração. Eu tive meus motivos que me impediam de fazer terapia, e cada pessoa tem os seus. Identifique esses motivos e procure quebrar essas barreiras; pelo menos tente, faça um teste com um profissional qualquer.

Somos todos um mundo imenso a ser descoberto. Não deixe que coisas pequenas te impeçam de mergulhar dentro de si e se maravilhar com o que você é.

E antes que perguntem... a abordagem que escolhi foi a TCC (Terapia Cognitivo Comportamental) que tem um trabalho fantástico com o nosso pensamento. Recomendado pela minha mãe também.

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