Eu não moro mais em mim


O que é a felicidade? É como uma luz no fim do túnel? É como na infância? Será que quando a gente cresce não tem mais o direito de - verdadeiramente - ser feliz? O que é isso que tanto dói? Onde cabem tantas lágrimas? Como definir o contrário da felicidade? Infeliz? Simples assim? Eu sou "infeliz"? Não existe algum meio termo, uma palavra melhorzinha ou que não me coloque naquela imagem de pessoas com rugas e a mão na cabeça?

Não dá para saber desde quando a felicidade pegou as malas e foi embora. Só chega uma hora em que a gente procura ela por toda a casa e ela não está. Depois, procura bilhetes e outras evidências de que ela não volta mais. E procura um motivo. Mergulha no passado e parece viver dele. Quer dizer, antes era feliz. Por que não viver ainda os 18? Quantos anos eu tenho mesmo? Isso pouco importa! Importa que no começo de tudo eu era feliz e era aquela pessoa que hoje em dia eu sinto falta.

Mas eu olho ao redor e embora as coisas sejam exatamente as mesmas, alguma coisa está diferente ali. Eu. Eu não sirvo mais para isso. Esse quarto com detalhes rosa e aquele bichinho de pelúcia que eu achava que nunca, nunca iria largar eu percebo que não é essencial como pensei. E todas as maquiagens, bijuterias e bolsas. Tudo isso parece ser tão indelicadamente desnecessário.

Jogar tudo fora e me procurar de novo. Quem sabe esse pode ser o próximo passo. Sair em busca de mim. Sozinha mesmo... Aproveitar essa solidão pra alguma coisa boa: uma busca sincera. E quando eu me encontrar, quem sabe não encontro também minha felicidade. Não vou "deixar pra lá" como fiz tantas vezes na vida. Posso não ter feito questão de mim muitas vezes, mas dessa vez eu vou até o fim pra matar essa saudade da pessoa que sorri de um jeito inconfundível naquela foto da prateleira de cima. Ela parece comigo, mas não é.

Eu não moro mais em mim. - Adriana Calcanhotto

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