Sabor de vingança, sabor de perdão


Tem uma pessoa na minha vida chamada Cobra. Esse é um nome próprio para mim. Se você é a Cobra, você sabe que é de você que estou falando. Infelizmente, no momento eu estou impossibilitada de sair dessa savana em que mora a Cobra. Fui condenada a conviver com ela e para isso eu tenho que me virar em mil, mas ao contrário do que muita gente recomenda, eu não preciso virar uma cobra.

Tem gente que gosta de vingança, gosta de retornar todo o mal a que lhe foi causado. Eu não sou assim. Eu acredito que a gente só é capaz de dar as pessoas aquilo que está dentro de nós. Se eu faço mal a alguém é porque o mal mora em mim, como é o caso da Cobra. Eu não tenho como dar a alguém o que não existe em mim, por isso não passo a vida procurando uma forma de me vingar; porque não tenho essa ruindade, esse veneno. Mantenho no meu coração só coisas boas. Por isso a vingança não é uma opção.

Mas eis uma coisa interessante sobre a vida: por mais que às vezes pareça ser de forma diferente, ela sempre fica do lado da verdade, da justiça e do amor. Por isso precisamos escolher esses elementos para o nosso time. Assim, a própria vida dá conta dessa "vingança". Tudo o que vai, volta! Nosso querido Newton disse isso. Nada do que você fizer na vida vai deixar de ter retorno. Se você fizer coisas boas, são bons os retornos e se você fizer coisas ruins, boa sorte, mas a maldade também acha o caminho de volta.

Por isso que eu não preciso me arrastar no chão como uma cobra. Todo o veneno que vai, volta. Todas as maldades que a Cobra fez, vão voltando; não por mim, não serei eu quem vai dar o retorno de todo esse veneno até porque eu não o tenho, mas a própria vida sabe o valor da justiça. Sabe na aula de primeiro socorros quando ensina que ao levarmos um picada de cobra, o soro que deve ser tomado no tratamento é o veneno da mesma espécie? Exatamente assim é com minha querida Cobra e a vida. Ela sai jogando veneno por todos os lados e uma hora é seu próprio veneno que vai a atingir. É assim com todas as cobras e a vida.

E quem já foi picado não pode nem deve passar a vida esperando esse "troco". Se não, seria a mesma coisa que desejar o mal a outra pessoa. Não podemos fazer nem desejar o mal a ninguém, mesmo quando estamos falando de uma pessoa que nos fez mal. Também não podemos ficar sentados sentindo o veneno doer por todo o nosso corpo. O caminho mais saboroso é o perdão. Pode parecer difícil, mas ele é o responsável por tirar um peso do nosso coração. É como o próprio soro depois de uma picada. Perdoar é a chave. O objetivo do perdão não é ficar de bem com a cobrinha que você tem na sua vida. O perdão trata-se de ficar de bem consigo mesmo.

Independente de todo o mal que lhe foi causado, o bem que existe dentro de você precisa sempre vencer. Nada de cultivar o mal, se igualar a peçonha nem deixar que o veneno doa pelo seu corpo. Tire o veneno de dentro de você antes que contagie e espante a cobra para lá. Tenho certeza que depois de experimentar  perdão não há vingança que você vai querer. Nada de prato que se come frio, gelado ou que o for, o bom mesmo é saborear o coração quentinho, cheio de coisas boas.

Então, Cobra, eu espero que depois dessa dose do seu próprio veneno, você tire de si todo o mal e pare de rastejar na sombra dos seus próprios erros e mentiras. Passe bem.

Esse texto é dedicado a cobra coral que minha tia tinha no guarda-roupa e que, apesar do medo, eu brincava com ela quando criança.

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