Arrepender-se de se arrepender


"É melhor se arrepender pelo que fez do que pelo que deixou de fazer". Sim, eu acredito quase que de maneira plena nesta assertiva. O lindo de ser humano é poder errar. O perfeito do ser humano, entretanto, é assumir as consequências e aprender com os erros. Mas isso não vem ao caso agora. O que vem é uma coisinha muito interessante que temos dentro de casa um: a consciência - aquele grilo falante do Pinoccio.

Não existe um método que nos faça prever o futuro. No máximo criamos algumas hipóteses, mas mesmo assim, estamos arriscando. A vida é feita desses riscos e rabiscos. A consciência é, dentre tantas coisas, o grilo que fica apitando na nossa cabeça pra nos obrigar a parar e pensar duas vezes; tentar imaginar no que aquilo vai dar futuramente. Mas nem ele (o grilo), consegue dizer o que vai com certeza p que vai acontecer.

E quando a cabeça aperta, o grilo canta demais e a gente realmente não sabe o que fazer, sempre tem quem dê esse conselho: é melhor se arrepender pelo que fez do que pelo que não fez. E como é! A dúvida é a pior coisa que pode morar dentro de nós. Tem aquele erro que a probabilidade de dar em besteira é muito grande, mas de toda forma, a gente só sabe se tentar. E tentar é o certo.

Mas então, chegamos em um ponto interessante: essa máxima vale para a dúvida, quando não sabemos se realmente vai dar errado. Quando já sabemos que vamos nos arrepender e temos a certeza de que aquilo não vai fazer bem, devemos que nos esforçar um pouquinho para que a consciência seja mais forte do que nossa vontade. Não podemos ceder aos nossos impulsos. Arriscar é gostoso quando as linhas são uma incógnita: pode ser que você se arrependa, pode ser que seu risco se torne uma obra de arte. Assim é que é arriscar.

E mesmo que seja uma sensação difícil, quebrar a cara é bom. Isso mostra que nós sabemos seguir o coração e somos capazes de lidar com as consequências de uma escolha não tão bem feita. Mas ainda podemos fazer uma troca nesse papo de arrependimento. Podemos deixar pra lá as lamentações e encarar todo o processo de não se dar bem como um aprendizado. Não podemos passar a vida se arrependendo pelas coisas que fizemos (ou que não fizemos), mas devemos levar no nosso peito como uma lição.

Arrependimento não leva ninguém a lugar algum. O que nos move são as nossas escolhas e o que aprendemos com elas. Então fazendo ou não fazendo, o importante é se levantar e bater no peito com orgulho de ter arriscado, tentado, insistido, acreditado.

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