Em paz com o destino


A gente ama demais, chora demais e vive em busca de uma coisa diferente. A gente acredita demais, deseja demais e lamenta na beira do abismo. A gente surta demais, acalma demais e acaba vivendo de lamentações recolhidas no meio do caminho. A vida é um terreno escasso, por ora. A vida nos surpreende com flores e um fim de tarde fresco.

Na ponta de nossas próprias histórias, moram outras histórias. Existe um limite até onde nossa caneta vai para escrever nosso futuro. Esse limite chama-se destino. Você acreditando ou não, ele existe. É o tipo de coisa mais inconstante que há e pelos desacreditados é conhecido como "estava na hora errada no lugar errado com a pessoa errada", mas a verdade é que o destino é algo certo. Quem não o abraça é que o vê como errado.

Já conheci algumas pessoas que exalavam destino. Me parecia tudo errado nelas, até que resolvi deixá-las entrar no meu mundo. Deixei de ser só eu pensando, para dividir meu rumo com outra pessoa cujo rumo me interessou. Duas cabeças pensam melhor do que uma, é o que dizem. Mas eu acho que o número mais correto seriam quatro cabeças pensam melhor do que duas, pois cada um de nós tem duas cabeças: a do cérebro e a do coração. Isso foi uma das coisas que aprendi desde que recepcionei o destino. Ele me ensinou a não ouvir alguns conselhos como esse.

Outra curiosidade que aprendi com ele: não devemos nem seguir o cérebro, nem seguir nosso coração. Devemos aproveitar a presença dos dois e fazer um dueto. O destino fica feliz com a combinação. Pra ele, é como comer pipoca com guaraná no cinema. Perfeito. São quatro cabeças que enxergam rumos ligeiramente similares deixando, em equilíbrio, as quatro partilharem um tanto de futuro. O destino gosta disso.

O que ele não gosta é de gente que se arruma e senta no sofá de casa esperando que ele chegue. Ele curte escritores no instagram, gente dono do próprio nariz, gente que a vida é interessante de brincar como se fosse um jogo de tabuleiro. Ele sempre ganha, mas vale a pena jogar porque às vezes ganhamos junto com ele. Depende de nós? Claro.

O destino não é uma mão que brinca com suas marionetes. Ele é só o futuro que a gente não consegue ver, prever ou namorar. O destino não é um caminho, ele é o ponto de chegada. A gente nunca sabe o que acontecerá quando virar a esquerda, mas segue todas as setas que a vida manda. Ele é o incerto, e isso assusta muito. Mas como já falei, depois que fazemos amizade com ele, é quase como um míope usando óculos de grau: dá pra ver um mundo mais nítido, colorido e bonito. A partir de então, a gente fica em paz com o incerto, e ao invés de fazer do incerto o errado, a gente faz o incerto dar certo.

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