Conjuga-me


Na gramática da vida eu e você não somos pronomes, somos verbos. Somos ação, donos do tempo - de todos os tempos, somos o núcleo. Somos flexíveis, confusos, malabares e definidores. Perfeitos, imperfeitos, mais-que-perfeitos somos verbum. Somos a matéria esperando ser conjugada, e de todas as formas possíveis, ainda somos a essência, a carne, o osso e a vida.

Estamos ardentemente esperando a conjugação da vida para fazermos sentido. Não somos a palavra em si, mas toda a sua flexão. O que seria de nós, seres humanos, se "ser" nos bastasse? A conjugação é o que nos encaixa em um exemplar. Nossa flexibilidade, nosso eterno estado de metamorfose é o que nos permite ser verbos. Nosso "era", o "sou" e o "será". Somos mutáveis, e assim seguimos transformando nossa pessoa, nosso tempo, nosso modo e nossa voz. Somos resultados de um Big Bang, a matéria que não para.

Conjugar é flexibilizar-se. Mudar sem perder a essência - o radical. Adaptar-se à história e ser a própria história. Poder contar uma história só em uma curvatura. O outro significado de conjugar é união. Conjugar é unir-se, juntar-se, misturar-se, ser um só. Então como verbos da vida, precisamos buscar a conjugação certa sempre. Precisamos estar constantemente nos conjugando. Somente através das transformações que passamos ao longo do texto da vida podemos nos unir e ser parte da história. É se adaptando que podemos nos unir com outros verbos para compor uma canção.

Eis a importância de ser um verbo conjugável. Ser flexível nos permite viver experiências distintas que nos ajudam a crescer em pessoa, número, modo, voz. Em cada flexibilização somos convidados a nos encaixar em uma oração. Fundidos no texto da vida, nos tornamos revigorantes. Verbos capazes de despertar emoção, aguçar a cognição e inspirar os sentidos.

Que sejamos sempre esses verbos conjugados, esses que não tem medo de mudar e de unir-se, mas que fazem esse molejo sem perder a essência. Se flexibilizam sem esquecer do significado, da sua raiz, da sua palavra. Como eternos verbos, vamos fazer parte de mais lembranças, despertar mais entorno pelo futuro e tornar o presente mais exuberante. Afinal, somos verbos da vida e enquanto ela nos tange, ascendemos rumo a uma viagem sem fim. É só se permitir: conjuga-me.

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