Eu e você, Laras.


Chorona, ela sempre foi. Era aquela docilidade de quem chegasse pra ela e dissesse “Lara, você é linda!”, ela se emocionava. Mas hoje, ela é infeliz. Sua autoestima baixa te levou a frequentar bares dos quais ela não pertence e amizades que a tiram a pureza do olhar. Todas as noites está ela: virando todas, dançando até o chão e piscando o olho para todos os solteiros da festa. Ela precisou se sentir aceita, amada e naqueles minutos até sentiu. Beijou o cara de barba e cerveja e as amigas a abraçaram pra comemorar sua conquista. 

Quando ela volta pra casa, acorda na ressaca e ainda tudo é festa, afinal, ressaca é para mulheres crescidas, adultas, maduras. Tudo indica que ela está indo bem. E ele ligou depois de três apreensivos dias e mandou um snapchat que destacava os bíceps. Teve assunto pra conversar a semana toda com as amigas. E como a Lara é top!

Até que ela percebe que tudo o que ela fez para se sentir inserida nos grupos de amizade, nos bares e na roda de cachaça, todas as pessoas fazem e nenhum delas é, de verdade, especial. O que torna uma pessoa especial é ser aceita do jeito que se é. Muito fácil ser aceita sendo a pessoa que todos são. Difícil é se amar o suficiente, a ponto de sair por aí sendo você mesmo. Lara percebe isso de vez em quando. Mas acredita ser tarde demais para ser ela. Então veste roupas iguais as blogueiras e vira as doses mesmo sem gostar. Beija os caras porque precisa de carinho e fofoca com as amigas para ter atenção. 

Mas uma hora ela começa a chorar de novo. Não devido a sua sensibilidade, mas porque está infeliz. De fato, o copo está cheio e o coração, vazio. O cara passou por ela em uma festa e não lembrou e as amigas bêbadas demais para perceberem a tristeza dela. Tudo dá errado pra Lara e ela não sabe o motivo. E agora, Lara? O que você vai fazer?

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