De shortinho, cropped e uma burca


Estávamos discutindo na aula sobre um casal que estava na beira da praia: o homem estava de havaiana, bermuda e camiseta. A mulher estava de burca, vendo o mundo sob aquela janelinha que tem no traje preto. Falamos sobre o quão limitada é a visão de uma mulher que veste uma vestimenta como essa que não a permite ver o mundo de forma ampla e completa.

Não vem ao mérito discutir se é um absurdo ou não essa cultura. Isso já entrou no senso comum e o que eu gosto mesmo é pensar além do que somos instigados a pensar. Enquanto as pessoas falavam do "absurdo" que é um homem usar sua bermuda e regatinha enquanto a mulher ficava toda coberta, eu refletia sobre a burca que nós, mulheres de mini short e top cropped, usamos.

A burca é um traje que não só esconde a mulher, mas que limita sua visão. Fiquei a pensar nas nossas burcas, em todas as coisas as quais convivemos que, sem nem perceber, limitam nossa visão do mundo, roubam de nós as possibilidades, nos fecham para a vida de uma forma indiscreta e profunda e também sobre as coisas que escondem nosso verdadeiro eu do mundo.

A nossa maior burca, sem dúvidas, são as nossas opiniões e idéias que levamos conosco como absolutas. Se colocar como o centro do mundo e da verdade é o mesmo que colocar aquela roupona preta que não lhe permite ver nada além do que está na sua frente. Acabamos perdendo todas as maravilhas que só encontramos na periferia da vida. Quando temos tantas certezas, perdemos a oportunidade de se divertir nas curvas das dúvidas da vida.

Assim também são algumas relações que temos, que nos tiram a liberdade de olhar além. Nos acomodamos dentro de um mundo preto, fechado e concreto e deixamos de ver a paisagem linda da beira da praia e sentir a água molhando a havaiana.

Mas o que pode chamar ainda mais atenção em uma burca é o fato de esconder toda a beleza da mulher. A mulher é um ser belo, puro, repleto de amor, e se encontra escondida de baixo de uma cor pesada, violenta e amarga. Da mesma forma, nós acabamos nos escondendo por trás de futilidades, deixando de baixo dos panos nossa essência para sermos aceitas.

Dessa forma, só mostramos aquilo o que achamos que as pessoas vão gostar por causa do medo de assumir nossa verdadeira identidade. Essa auto cobrança de estar igual a todo mundo, de andar na linha, de estar no "padrão" e que reprime toda a beleza de ser quem verdadeiramente se é está escondendo toda a beleza que cada uma de nós temos, em troca de uma beleza comum, sem gosto.

Não podemos ter medo de nos mostrar para o mundo, precisamos ter essa coragem de mostrar nossa cara. Então vamos tirar nossas burcas. Vamos nos abrir para as possibilidades e assumir nossa verdadeira face. Antes de olhar a cultura dos outros e querer transformar outras realidades, precisamos refletir o que podemos fazer para viver melhor na nossa realidade!

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