Metade da laranja


Eu sempre quis me enganar, sim. Mas no fundo, prevalece você. Quando eu conto minhas histórias de amor, exijo pensar como você foi o meu maior e mais lindo amor. Procuro esquecer que ainda é - e mesmo escrevendo isso, não vou admitir o modo presente do verbo. A verdade é que eu passei anos sendo sua refém, de baixo de suas asas e apesar de toda a água na boca de um amor verdadeiro, doeu muito. Prefiro te conjugar no meu passado, então; dizer que todo aquele amor, a paixão, as noites pra pensar em você passaram e me intitular livre a me ver novamente desesperada pela sua atenção.

E quando me vem esses espasmos da realidade, esses momentos em que eu sinto sua falta, quero sua atenção e bate aquela saudade que já foi muito minha amiga, eu fico sem saber o que fazer. Uma parte de mim te quer por inteiro e quer sentir todas as coisas boas que você me fazia sentir. Outra parte de mim, quer sentir essa mulher forte, que seguiu em frente e te sorri distante por inteiro porque não se contentou com o pouco que você a deu.

É como se existissem duas versões de mim: uma que te ama, e uma que não vê motivos para permanecer vítima de seus contratempos. Mas isso é só um detalhe da sua falta de coerência. Suas metades criaram metades em mim. A sua metade que me ama, cativou o "ser amado", a metade que nunca foi minha despertou essa repulsa que hoje sinto. E diante disso tudo, percebo que escolheram a metáfora errada: almas gêmeas não são duas metades da laranja. Almas gêmeas são dois inteiros que transbordam, não duas metades que se completam.

Mas depois de tudo o que passei com você, aprendi que o amor ele não tem tamanho. Não é possível que ele seja grande, pequeno ou metade. Amar um pouco já é suficiente para aguentar uma vida inteira de todas as suas metades. E por conta de todo esse amor que mora em mim, e de você, meu maior amor, eu vou continuar procurando outros braços, outros laços e outros amores porque você dói demais. Pra você, amar é suficiente. o pouco do amar. E eu não sei ser assim.

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