O mundo não gira em torno de você


Hoje, quando a gente estuda as teorias de ordenação do Sistema Solar, percebemos como é um absurdo pensar que a Terra é o centro. Afinal, já aprendemos que a ela gira em torno do Sol, e não ao contrário. Eu até me perguntava, quando mais nova, quando alguém podia ter pensando nisso. Mas em uma época como o século XVI, o absurdo era dizer que o homem não era o centro do universo.

Mas ok, o centro do universo já sabemos que é o Sol. No entanto, se pararmos para analisar, dois séculos depois, e ainda vivemos sob o mesmo geocentrismo (terra como centro) ou antropocentrismo (homem como centro). O homem ainda é o centro do mundo é isso se revela não somente na supervalorização que damos a nós mesmos (seres humanos), considerando nossos interesses mais importantes que a natureza, os animais ou até mesmo em relação aos outros (eu de cada um). Podemos ver a tendência característica do ser humano em cada uma de nossas atitudes e pensamentos.

Isso não tem nenhuma relação com o caráter pessoal de alguém... Existem pessoas egoístas, individualistas, outras altruístas e solidárias, mas todas são antropocêntricos. Temos essa tendência (ou mania) de tornar todas as coisas sobre nós.

Vou dar um exemplo prático, que foi o que me fez perceber isso: eu tinha uma amiga e éramos muito próximas. Só que ela é bem problemática, do tipo que nunca está errada (já falei dela aqui em uma crônica sobre isso), já sabe de tudo, tem dias que está de bom humor e tem dias que me trata com desprezo. Eu tinha vergonha, muitas vezes, de falar pra ela as coisas boas que aconteciam comigo porque ela não sabe lidar muito bem com o sucesso alheio. Quando ela sabe de alguma coisa boa, mesmo que por outras pessoas, ela não vibra junto comigo, nem comemora. Age naturalmente. Difícil de conviver, mas eu aprendi a aceita e também a ver todas as qualidades dela.

Ultimamente muitas coisas boas vêm acontecendo comigo. Paralelamente, ela se afastou de mim. Eu percebi ela distante, fria, quieta, mas resolvi não me meter porque podia ser somente ela querendo não manifestar alegria junto comigo. Então não me importei. Podia ser raiva, inveja, ciúmes ou só um desses tempos que ela fica de mal humor prolongado comigo , mas eu tinha em mente "depois passa".

Analisei tanto a situação, mas esqueci de tirar uma palavrinha especial: eu. A verdade é que ela estava passando por algumas dificuldades e estava triste. Além da fase de vida difícil que estava passando, ela não teve meu apoio com amiga simplesmente porque eu fiz daquele comportamento dela, algo comigo.

De repente ficou claro: ela não era daquele jeito COMIGO. Ela é assim. Meu antropocentrismo fez com que eu olhasse para a situação como um dia já olharam para o universo: eu no centro e as pessoas girando em torno de mim. É assim não somente nesta situação da minha vida, mas com muitas coisas que acontecem conosco. Uma vez vieram me perguntar "o que eu fiz com você que passou por mim e não falou?", mas eu não tinha visto a pessoa! Isso é a maior prova de como colocamos todas as situações, atitudes e problemas voltados para nós... O famoso "por que comigo?".

Precisamos quebrar esse pensamento para o nosso próprio bem. Do mesmo jeito que formos capazes de ir ao espaço depois de reconhecer que o Sol é o centro. Vamos quebrar essa ideia: o mundo não gira ao nosso redor. É importante levarmos isso para a nossa vida; deixar de tornar todas as coisas sobre nós. O mundo não é personalíssimo. Um raio não escolhe onde cair, então ao invés de achar que o problema é com você e viver em função de si mesmo, experimente uma vida em torno de soluções.

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