Incompreensão


Não me sinto compreendida. Assim, fico só. Como um alguém tão singular, complexo e deslocado que nunca encontrará sua outra metade. Me sinto só. No jeito, nas opiniões, nos gostos e nos sábados, estou sempre única. Não há quem acompanhe os meus passos. É o resultado de não saber se expressar: eu sou mal interpretada.

Nunca quero o bem, não intento em ajudar nem completar. Afinal, como completar um mundo do qual eu pareço não me encaixar? Essa singularidade que me preenche e não quer esvaziar me deixa vazia: sem ninguém. Deitada na cama, a luz apagada e os olhos vagando pelo escuro. É difícil ser só e estar cercada de pessoas que não te enxergam como verdadeiramente se é. Ou não te enxergam de forma alguma.

Mas então, o que ser? Como ser um alguém explícito e plural? Perdi a noção da realidade e dos sonhos quando me vi desentendida. E agora se mostra muito difícil ir adiante ou voltar atrás nessa era em que as pessoas só aceitam quem anda na mesma direção. Não entendo mais desses passos distintos que apontam cada tropeço meu. Eu pensava que o bom de toda essa dinâmica de sociedade era a solidariedade, mas não há compreensão e eu já parei de tentar entender o motivo de eu sempre estar errada há muito tempo.

Sou só diferente e só. Quis ser compreendida ou ao menos aceita, mas somente eu vou me preocupar com as minhas feridas acusadas pelos calos dessa solidão. Antes um silêncio que me entenda do que milhares de pessoas ao meu redor que só me resumem em incompreensão.

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