Somos tempo


Somos o agora, mas não podemos negar que somos resíduos do passado. E além disso, o querer do futuro. Somos a definição mais imperfeita do tempo, afinal de contas, andamos com relógio, mas não conseguimos andar com os ponteiros. Eles passam, e nós ficamos. E muitas vezes, nós passamos e eles vagam o caminhar.

Embora a gente se esforce diariamente para deixar pra lá muita coisa do passado,  resultamos de cada uma de nossas experiências já vividas. Levamos como aprendizado, traumas ou lembranças todos os segundos e situações que se foram, mesmo que os detalhes não venham à mente. Temos essa tendência de ver a história se repetindo quando não se repete, e nosso presente se torna como um gravador antigo, que traz tudo novamente ao agora.

Sendo assim, esse nosso "agora" é uma simples divisão, uma instabilidade forte entre essas experiências que já passamos e os sonhos. Somos, dessa forma, uma passagem árdua do tempo sob nosso olhar enquanto esperamos um outro "eu" chegar. É uma ponte.

Nosso futuro, entretanto, é ainda mais cheio de experiências e histórias já contadas ou não. Se nem o passado é estável por conta das peças que nossas mentes pregam com nós mesmos, o futuro não passa de uma ilusão. Podemos contar os segundos, os dias, mas nunca o futuro. Ele não chega, nem vai embora. E enquanto a gente o espera, sendo tempo, vamos vendo as horas passarem enquanto simultaneamente passamos pelas horas sem nada mudar.

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