Tsundoku: porque todo mundo tem uma pilha de livros


Não gosto de ganhar livros de presente. Pronto. Falei. Vomitei, fui sincera e muita gente que gosta de mim vai ficar pensativo se me deu um livro no meu aniversário. Um livro é uma intimidade. É o que vai mergulhar no nosso profundo. Então, a escolha de um bom livro não depende somente do autor que está todo mundo lendo, dos mais vendidos da Saraiva ou do gênero favorito do leitor, mas também do momento de vida em que nos encontramos.

Por ser um processo tão íntimo - afinal, quando a gente entra na livraria, saímos dela com o livro que mais nos cativa, que está prestes a se tornar nosso melhor amigo  - que eu prefiro eu mesma ir e comprar (ou então olhem minha lista, ta?). Comprar um livro é como escolher amigo. Você está escolhendo um amigo para a outra pessoa. Seu presenteado não vai passar somente uma semana ou um mês com aquelas páginas, mas as letrinhas acompanham o leitor a vida inteira. Para presentear alguém com um livro é preciso que sejamos, também, íntimos amigos desta pessoa. Só assim somos capazes de dar um verdadeiro amigo em folhas pra invadir a intimidade do presenteado.

Caso contrário, a nossa pilha de livros cresce ainda mais. Isso ajuda a crescer, mas nós é quem somos os responsáveis por entocar livros não lidos que esperam ansiosamente para que a gente se misture com aquele novo mundo. A gente compra, nem termina de ler e compra mais três e se tiver promoção a gente leva tudo. Por isso, tenho uma estante só para livros que ainda não li. Outra para próximos livros que quero ler. E ainda tem outra com livros que estou lendo. Por que todo mundo tem uma pilha de livros?

Fora os livros que a gente ganha e entram na pilha como não prioridade, a maioria das pessoas têm uma doença chamada: descontrole literário (risos). A gente entra na livraria e não consegue sair nem que seja com um livro só. Impressionante! E se o caso de amor com o livro novo for tão grande, o livro parado fica lá na estante quetinho até ser devorado.

A culpa da nossa pilha também é do dia-a-dia e do comodismo que a televisão e a interne representam para a nossa mente depois de um dia cansado. Afinal, é bem mais fácil assistir um episódio da sua série favorita do que parar e ler o livro inteirinho. Infelizmente, mesmo para os maníacos por livros é difícil deixar pra lá a internet e mergulhar em uma boa leitura, já que a rotina nos deixa exaustos e com dificuldade de concentração.

Apesar de tudo, nada substitui uma boa leitura. Para isso que existem domingos, viagens e feriados: pra passarmos o dia todo em uma aventura da leitura! Não há nada mais divertido, recompensador, gostoso e sábio do que a leitura. Por isso que comprar um livro - mesmo sabendo que ele vai demorar para ser lido - é o tipo de atividade que dá um frio da barriga e um sorriso que a gente não controla.

 E a pilha de livros... vai continuar lá, porque chega livro, sai livro e volta livro e a gente continua nesse eterno Tsundoku: comprando livros pra nossa pilha. E o mais interessante é que essa é a pilha que nos dá fôlego para sobreviver nessa amarga realidade que é a vida (sem a pilha de livros, ela não seria a mesma). Então que permaneçamos assim: ansiosos para a próxima página, o próximo livro e o próximo amigo.

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