Centro do coração


Você escolheu morar na periferia do meu coração. Assim, quando quer, é fácil fugir. Decidiu não ir tão a fundo em mim, não chegar no centro e correr o risco de se apaixonar. Você quer me amar, mas não quer se entregar, e isso não é amor. O amor é completo, pleno, sem volta. E você...? Ah, você já foi e voltou diversas vezes. Isso não é amor.

O amor não é fácil; é realmente um caminho sem volta; não uma casa nas redondezas de um coração. Isso não é amor. Você não é amor. O amor se entrega, você se abstém. Me evita, me aproxima só para sentir meu corpo, nunca meu coração. E isso jamais poderá ser chamado de amor.

Diante do seu desamor, não peço, não pressiono, nem espero você chegar no núcleo de mim. Isso é profundo demais, para pessoas profundas demais que sentem profundo demais. Você é raso e manifesto. Você é sem sentido. Ou somente não faz sentido ter toda essa estrutura para agregar o amor e se abster disso.

O amor não se implora. Por isso, amar é silêncio. É no silêncio que amamos da forma mais profunda. Isso é amor. Por isso me calo, sabendo do meu coração profundo que nunca será suficiente para abrigar o seu. Não porque o seu é grande demais, mas porque você se contenta com a periferia e eu preciso viver todas as extensões do amor. O amor é intenso.

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