Na porta da geladeira


Peguei aquela chave da sua casa que fica dentro do jarro de margaridas da varanda e invadi seu apartamento. Não tava nem aí. Eu sabia que você estava no trabalho e não chegaria. Eu me senti uma criminosa, invasora de domicílio, louca; mas o primeiro culpado foi você que roubou meu coração. Sou apenas vítima das circunstâncias.

Por mais que seja comum, nunca me imaginei vivendo isso. Não, eu não aceito o fim do nosso relacionamento. Pra mim não existe isso de "acabou; fim; me esqueça" que você falou arduamente no telefone enquanto eu segurava o choro do outro lado da linha. Não quero ser a ex que enche seu saco pra voltar, mas quero que perceba que as coisas não morreram entre nós.

Então entrei na sua casa pra despertar a psicopata  que existe em mim. Não quebrei nada (pode checar), mas abri seu guarda roupa pra sentir seu cheiro. O cheiro do meu amor. Deitei na sua cama e quase decifrava o seu corpo e seu cafuné. Baguncei os lençóis (já estavam bagunçados e nem me preocupei em arrumar) e deixei resíduos de mim lá. Ou mechas do meu cabelo.

Abri a geladeira e bebi seu refrigerante, fiz café e organizei seus produtos porque estavam uma loucura. Eu chorei também, porque a gente não acabou. Não sei o que deu em você, mas perceba o quanto de amor há na minha saudade.

Não mude a fechadura da chave. Não incomodarei mais. Não dessa forma. Mas vou te perturbar até você perceber que eu tiro seu sono por umas noites, mas a maioria delas é deixando sua cabeça nos sonhos do nosso futuro. Você esqueceu o quanto nos amamos?

Ligue de volta.

Te amo,

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