O que a vida nos ensina nas entrelinhas


 Já faz 15 dias que estou vivendo uma experiência diferente na minha vida. Meus pais estão viajando e fiquei "responsável" por assumir o papel dos dois dentro de casa. Minha irmã não é uma criança, mas ela é dependente deles para muita coisa, e com a ausência de ambos, agora dependente de mim.

Brinco com ela dizendo que ganhei uma filha adolescente pra criar. Pulei todas as etapas e virei "mãe" de alguém que já está grandinha, mas não grandona. Quem acompanha o blog sabe que eu auto-intitulo "irmãe" da Carol, mas o que estamos vivendo sem a nossa mãe de fato é um zelo diferente.

Além de filha, veio de brinde preocupações como "o que vamos jantar?", "chegou a conta de energia?", "acabou o arroz, tem que comprar", "buscar na escola às 12h", "comprar pão depois do trabalho", "será que o dinheiro dá até o fim do mês?"dentre outras tantas como prato pra lavar (minha mãe não está aqui pra lavar as panelas que odeio), lixo do banheiro pra trocar, roupa pra levar pra lavadeira.

O acúmulo de funções dos meus estudos, trabalho (que já tinha) e cuidar de casa estão me deixando exausta. Mas não é aquele cansaço insuportável, principalmente porque sei que não dura pra sempre, mas um cansaço que me faz pensar o que minha mãe sente em todo esse tempo.

Viver essa experiência está me abrindo os olhos pra a importância que ela tem na minha vida. Não que antes eu não reconhecesse, mas que eu não fazia ideia de como era viver isso tudo. Realmente, ela é a mulher maravilha. Hoje percebo que o cansaço que ela reclama não é o mesmo que o meu depois de uma semana de provas e que quando se sente desvalorizada porque não lavei toda a louça não é por causa daquela louça, mas por não aliviar uma tarefa que a deixaria menos cansada se não a fizesse.

Bem que todos os filhos poderiam viver isso que estou vivendo. Não sei se a realidade do restante das mães é igual à da minha, mas tenho certeza de que toda mãe costuma dizer "quando você for mãe, você vai entender o que eu digo". E eu ainda não sou, nem estou perto de ser a mãe-mulher-profissional-pessoa que minha mãe é, mas agora entendo mais um pouco que é preciso que enxerguemos nossas super-heroínas com outros olhos porque elas nos salvam de uma vida de preocupações e cansaços por um bom tempo.

Até que uma hora a gente segue nossa vida mesmo. Mas eu sei que quero esse colo pra sempre, até porque estou morrendo de saudade dos meus pais e contando os dias para que eles voltem pra casa para me abraçarem e cuidarem de mim porque eu ainda não estou preparada pra não tê-los. Eu ainda tenho muito o que aprender pra (tentar) ser um pouquinho do que eles são.

(E tô tendo inspiração pra escrever ainda porque, como falei no SnapGram, a rotina me inspira bastante... E ô rotina chata!)

2 comentários:

  1. Sua mãe e tudo isso que você falou e muito mais.e uma pessoa linda de Deus. Mesmo diante disso tudo que vocês têm vivido. Fico feliz porque tudo isso trouxe um crescimento maior para sua experiência de vida. Parabéns para você. Nunca esqueça a mamãe e o papai são super especiais.

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