Mais uma metáfora da vida


Eu acordei hoje dez minutos atrasada e atrasei mais uns dez escolhendo a roupa. Eu ia para o médico (que não sabia o endereço), mas antes tinha que passar no trabalho para deixar o material que fiquei devendo.

Sai de casa despadrada no carro, parei em qualquer lugar, desci tão rápido que deixei a bolsa no carro, depois voltei pra pegar. Esqueci de dar bom dia, trombei em um colega e fechei a porta com força e todo mundo da sala olhou pra mim.

Deixei o material no devido lugar e depois voltei com mais de mil para o carro, sai sem saber exatamente onde queria chegar e me perdi. Não sabia onde estava e isso não era legal naquele momento (já falei que gosto de me perder de vez em quando? Já né! Mas naquele momento não era bom estar perdida) porque eu estava atrasada e só. Completamente só.

Parei o carro onde é proibido estacionar porque não vi a placa e liguei pra cinco pessoas em menos de dois minutos. Olhei ao redor, ainda sem me situar, e acabei por perceber o furacão que estava sendo eu naquela manhã.

A palavra "furacão" me lembrou um amigo, que pediu orações pela irmã que mora em Orlando, e estava temerosa por conta do furacão que está assustando todos por lá. E eu era o furacão daqui. Eu acordei com o pé esquerdo e arrastei todo mundo junto.

Desci do carro, peguei um táxi para me levar até onde eu queria, mas não sabia o caminho. Mal falei com o taxista, mas ele certamente parou na porta de onde eu deveria estar há 40 minutos. Paguei e desci. Cheguei no medico, a atendente mal falou comigo, mas dei minha carteirinha e ela disse que me chamava quando fosse a minha vez. E isso demorou muito.

Sentei na sala de espera junto com umas 30 pessoas nervosas por conta da espera, da paciência que o "paciente" precisa ter quando vai ao consultório do médico mais conceituado da cidade. E do menos conceituado também.

Ainda furacão, eu respirei fundo. Fui, aos poucos, me acalmando, baixando a adrenalina, a agitação (que é típico de mim). Só então eu percebi a grande metáfora que é a vida.

Geralmente, a primeira coisa que faço quando acordo é rezar. Por conta do atraso, eu acabei esquecendo, deixando pra lá. Uma vez em um grupo, a gente discutia sobre isso. Alguém disse que muitas vezes não tinha tempo de rezar porque o dia era muito corrido. E outra pessoa respondeu que, se a gente tá com o dia muito apertado, até preocupado em não conseguir cumprir todas as coisas do dia, é porque já começou o dia errado. A oração deve ser a primeira coisa do dia, inclusive pra pedir que consigamos cumprir com todas as tarefas.

Sem minha oração matinal, segui na agitação, atropelando a mim, a educação e as pessoas (não literalmente, mesmo na loucura que eu tava dentro do carro). Não me percebi, nem percebi o outro. Assim, me perdi. Precisei de alguém para me ajudar a achar o caminho, e uma vez no meu destino, pude parar e me perceber.

E quantas vezes na vida não é assim... A gente esquece o essencial e se perde, machuca as pessoas, esquece de olhá-las, de prestar atenção em tudo o que está a nossa volta. Nos tornamos um furacão; o caos do mundo nos engole e começamos a sugar tudo a nossa volta para essa confusão, como um buraco negro.

Além disso, também foi aprendizado pra mim a importância do "pare". No momento que eu me sentei e parei, pude perceber todos os rastros que estava deixando pelos lugares que passava.

A vida se comunica com nós, basta estarmos atentos para perceber os recados. Pra hoje, ficou a minha oração (o essencial para começar meu dia bem - e cada um tem seu método para levar o dia a dia com tranquilidade) que me aponta o caminho a seguir e é importante para que eu não me perca e a pausa que todos nós devemos fazer sempre para olhar ao redor e perceber que o recado não está na porta da geladeira, mas nas entrelinhas dos nossos passos, independente de qual seja a sua direção.

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