Mas a solidão


Ontem, quando você foi embora, eu senti um vazio. Quando eu te vi fechar a porta, eu vi também uma parte de mim saindo de casa. Pra sempre, talvez.

Eu coloquei a mão no peito pra checar se tava tudo lá mesmo, depois marquei um exame pra ter certeza se não atracaram meu coração pra fora naquele momento; mas alguma coisa precisa explicar o vazio.

Acredito que estar só e sentir-se só são duas coisas completamente diferentes, mas quando vividas ao mesmo tempo causam um impacto significativo que é capaz de acabar com meu fígado; já que moro vizinho a um bar; já que o bar me lembra você.

Sozinha, sem coração e sem fígado, Deus que me permita viver mais alguns anos existenciais nesse meio termo hábil. Já que você se foi, abstraio de mim as memórias, os sorrisos e palavras. Tiro daqui as fotos, presentes e resíduos de você.

Dizem que meu maior defeito é ser extremista, mas se você não está 100% aqui, não deixe seus 10%, 5% ou nem mesmo 1%.

Está tudo doendo agora, mas é uma questão de tempo até eu me deteriorar junto a tudo que ainda existe de você em mim. Eu sempre te avisei e veja que é pra valer: ou você é tudo na minha vida, meu primeiro pensamento quando acordo e meu último antes de dormir, ou você não é nada (e eu não vou nem lembrar seu nome).

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