O Natal desse ano


Ontem, quando cheguei em casa e vi que minha irmã tinha tirado as coisas de natal para arrumar a casa, eu chorei. Estava sozinha em casa, e passei muito tempo chorando. Tudo doía. As dores no peito que já venho sentindo há muito tempo por conta do vazio em ter os pais longe, a saudade e essa impotência que não me permite estar perto e ajudar a acompanhar o sofrimento. Não tenho palavras para descrever como está sendo difícil. Mas além das dores que já me "acostumei" a sentir, doeu ver o Natal chegando na minha casa sem meus pais aqui.

Minha mãe é sempre a primeira que se anima para o Natal, chama para arrumar a árvore (e nos últimos anos nem dei importância pra ajudar) e canta músicas natalinas. Eu já tinha dito a minha irmã que não queria arrumar o Natal. Eu não via sentido, não tinha a alegria da minha mãe nem mesmo estaríamos em casa para o Natal.

No entanto, quando cheguei em casa, vi a arvore, as bolas, as luzes e os ursinhos e isso doeu muito. Por alguns minutos, me desesperei. Eu me senti uma criança que não tinha minha mãe para me dar colo. E não tinha. Estava só, com aquele velho sentimento, mas nova razões para somarem às minhas angústias.

Depois de me acalmar, estava procurando uma outra coisa pelo quarto dos meus pais e eis que encontrei uma bola de natal para colocar na árvore com a foto dos dois. E lá vai eu chorar novamente. Tive que ser mais forte do que estava sendo até então e aceitar que iria ter natal sim, e que mesmo que o papai Noel não passasse pela minha casa pra colocar o presente de baixo da árvore, eu precisava deixar tudo como minha mãe gosta.

Pendurei a bola de natal com a foto deles na árvore e fiquei alguns minutos olhando a presença dos dois na minha sala de estar. Meu pai não está jogando videogame ou minha mãe assistindo o programa do Serginho com o cheiro do seu sabonete por toda a casa, mas a presença deles ainda sim é forte em cada coisa que faço, a cada minuto que vivo.

Ainda vão ter horas que o desespero vai bater e que eu vou chorar porque aprendi na marra que isso é normal, mas nada como olhar a sala de estar do jeito que minha mãe gosta e com aquela foto dela e do meu pai no topo da árvore.

O desafio esse ano é não somente deixar Jesus nascer no nosso coração, mas preservar essa esperança que as vezes me parece não difícil de enxergar - sou tão humana. Meu coração precisa ser, esse ano mais do que nunca, manjedoura de esperança e fé, e isso é o que está sustentando eu e minha família em um natal que, por pouco, não teríamos que passar separados.

Ainda falta um mês para eu vê-los novamente e enquanto isso vou sobrevivendo à medida que vivo meu natal. Meu pedido para meu papai noel? Fique bom logo e volte pra sua casa pra assistirmos séries e fazer carinho um no outro!

E já no clima de fim de ano, jamais posso dizer que 2016 foi o pior ano da minha vida. Foi (ainda é), de longe, o mais difícil, mas sem duvidas estou fazendo nascer, também, uma nova Camille a cada dia e esse crescimento não troco por nada. Louvo a Deus na minha dor, pois sei que Ele sofre comigo e  sonha com uma vida plena Nele para mim, depois que tudo isso passar.

Encerro com a frase que resume minha pessoa: a alegria do Senhor é a nossa força. Sim, e nessa alegria que vem dos céus eu sigo minha vida, nos bons ou nos maus momentos, sabendo que a cada dia serei mais forte porque a Cruz que levo é pesada, mas pra nos fortalecer precisamos de um grande exercício de peso para a vida. E a vida...? É  bonita e é bonita!

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