Será que ser independe significa se fechar no seu mundinho?


Hoje eu estou nostálgica. Por que? Meu carro quebrou, andei de carona com minha mãe pra faculdade, e depois ela me pegou no trabalho. No caminho, contei pra ela sobre minha vida, como se conversa com alguém que há muito não se atualiza sobre você. Falei do meu namoro, meu tema do TCC, o que penso em fazer depois da faculdade e dos meus colegas de trabalho. Pedi a benção na hora de sair do carro, como eu sempre fazia quando ela me levava na faculdade, antes de começar a dirigir. Como antigamente.

Passei o dia pensando nisso. Só hoje minha mãe soube coisas da minha vida que já pensei ou decidi faz tempo. Fiz um pequeno passeio pela minha rotina e vi que, aos poucos, a convivência foi diminuindo e detalhes importantes foram sendo deixados de lado a medida que fui andando com meus próprios pés. Não falo somente de dirigir sozinha (e da solidão do carro que percebi que não é 100% bom), mas de não precisar de dinheiro pra nada, e consequentemente nem falar das coisas que compro ou deixo de comprar, de estudar sozinha e não sequer discutir temas que são interessantes da atualidade, de ter uma rotina totalmente alheia a dela.

Eu saio de casa em horário diferente, não almoço em casa nenhum dia da semana, chego do trabalho todos já tem jantado, meu cansaço só me faz querer estudar ou ler algo quando chegar em casa e depois dormir (isso quando não tenho alguma reunião ou compromisso a noite).

Diante disso e da minha mente inquieta, eu me pergunto: a vida independente está me fazendo viver no meu próprio mundinho? Será que, conseguir andar com meus próprios pés, significa passar grande parte do caminho sozinha?

Nem quero saber da resposta. Eu vou fazer a realidade do jeito que eu quiser. A mim cabe buscar alternativas para não criar sinônimos. O corre-corre da minha vida no momento, pode não me proporcionar o prazer de almoçar na mesa de casa com a família ou bater um papo na carona pra faculdade, mas me dá o desafio de buscar equilíbrio em mais uma situação da minha vida.

E reitero minha ideia principal do momento:  tudo na vida tem uma medida. Nada é bom de mais ou de menos. Viver bem é encontrar o equilíbrio. E assim, nos divertimos como equilibristas no circo da vida.

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