A felicidade não é para todos


As doenças da mente nos assombram. A depressão é a doença que mais mata no mundo. A felicidade nos parece uma realidade cada vez mais distante. E talvez até seja, dependendo do nosso ponto de vista e de onde estamos colocando toda a nossa vida.

Ouvi que hoje em dia as pessoas querem aparentar a felicidade muito mais que ser felizes e demonstrar uma vida a qual não têm nas redes sociais. Isso é uma verdade parcial; se é que existe verdade. De fato, as pessoas querem mostrar - seja no olho no olho, seja na internet - que são mais felizes do que realmente são, mas isso não é um problema do hoje, mas uma realidade a qual se vive desde a antiguidade.

Quem já leu livros antigos, ou mesmo assistiu novelas de época, com certeza já percebeu, que desde sempre o importante não era, em si, o que você é, mas o que as pessoas acham que você é, o que a sociedade pensa de você. Sempre foi assim e a diferença é que hoje é mais fácil de demonstrar essa falsa felicidade pelo mundo afora - e ela alcança uma maior quantidade de pessoas.

Diante disso, cabe a nós uma pergunta muito íntima: por que nós estamos mais preocupados em parecer felizes do que realmente ser felizes?

Primeiro, podemos perceber que falsa felicidade é muito mais fácil de alcançar do que aquela que vêm de dentro, que precisa muito mais do que ser encontrada (ou comprada): ser descoberta. Se a gente parar pra olhar essa "falsa felicidade" (que neste contexto podemos chamar de alegria, para já absorvermos que ela é momentânea)  é exatamente ela que a gente vê por aí a fora: fama, dinheiro, poder, bens e claro, viagens.

No entanto, a gente não pode viver acreditando que a felicidade é para aqueles que têm; e quem não tem não será feliz. Muito pelo contrário, o acesso à felicidade é democrático (para todos). Pessoas felizes não são aquelas que tem o carro do ano, o iPhone mais caro, muitos seguidores no instagram nem muitos carimbos no passaporte, mas são aquelas que entendem que ser feliz não é ter tudo o que deseja, e sim, amar tudo o que tem.

Quem é feliz entende que as coisas não nos trarão felicidade, muito menos as pessoas ou as nossas conquistas. Embora trazerem uma satisfação pessoal, estas coisas não podem nem devem ser parcela essencial do sentido da nossa vida.

Quem é feliz entende que desapego e amor andam juntos e que para viver bem, precisamos nos colocar em primeiro lugar, mas não sozinhos, e sim, juntos com todas as pessoas que vivem ao nosso redor.

Quem é feliz entende que viver é muito além de momentos e que jamais existirá uma fórmula que nos ajude a encontrar a felicidade dentro de nós (que é onde ela está).

Quem é feliz entende que felicidade é vivida no silêncio, não exposta para todos verem.

E termino, lembrando uma frase de Jim Carey: “Eu acho que todo mundo deveria ficar rico, famoso e fazer tudo o que sempre sonharam, para que possam ver que essa não é a resposta.”


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