E quando a gente sai de casa?


Nos filmes, sair de casa parece ser uma coisa bem fácil. É só achar um apê, pegar as coisas e ir embora, mas na vida real não funciona assim. Primeiro que os custos são maiores do que a gente pensa e ainda morar só é mudar de vida.

Já vai fazer um ano que saí de casa; e as roupas não se lavam sozinhas, os pratos muito menos, nem a comida chega pronta na mesa, o miojo é o maior aliado da fome e a calculadora do iPhone nunca foi tão usada por mim. Eu faço mais cálculo de matemática do que na época de escola.

Brincadeiras à parte, mas a opção por sair de casa é uma mudança profunda de vida. Desculpem por chegar a falar clichês aqui, mas não tem melhor coisa que casa de mãe. Nossos pais dedicam a vida a poupar-nos desses desafios do mundo adulto, e a gente achando que tá preparado dá um salto do ninho e cai de cara com a realidade de que nem é tão bom assim ser gente grande.

De repente a gente se vê preocupado com coisas que não tínhamos nem noção que existiam como as contas chegando (tipo, muitas!), o arroz que acabou e esqueceu de comprar, o supermercado vira o lugar mais frequentado e a solidão nossa mais fiel companhia. Venho aqui desabafar porque virei uma chata falando demais da minha vida por aí afora. Às vezes vomito minha rotina para as pessoas que nem querem saber, e repito as histórias sem lembrar que já contei. Virei quase uma velha.

Claro que tudo é questão de adaptação e hoje já sou bem moldada na vida que levo, mas não vou mentir que não é melhor chegar em casa, comer e dormir tranquila sem se perguntar se a porta tá trancada, os pratos estão lavados e se o dinheiro vai dar até o fim do mês.

No fim, essa mudança (não só de casa) é um processo necessário, sabe? Tem gente que escolhe esperar casar pra sair de baixo do teto dos pais, mas por circunstâncias da vida nem tive essa opção. Mas a gente vive pra isso mesmo; é inevitável uma hora sair do colo da mãe e andar com os próprios pés.

E o que fica pra hoje? Cada coisa tem seu tempo. Não apresse o tempo, assim como não o retarde - seja por medo ou comodismo. A vida é, em si, uma escola só que a gente já aprende a viver na prática e as provas acontecem a hora toda, e embora despreparados para enfrentar as dificuldades, a gente se vira e revira pra sobreviver.

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