Você nunca mais voltou


Senti seu cheiro. Senti seu cheiro e chorei. Chorei, lembrando de nós dois, de todos os momentos bons que passamos juntos, de como suas mãos tocavam minhas costas e de como eu era feliz com você. E você sabia, e dizia que eu nunca mais iria querer viver sem você. E você quem não quis mais viver comigo.

Você se foi, levou minha felicidade e um pedaço de mim que eu tinha te dado para cuidar. Fiquei, então, com um buraco dentro do peito, porque você também levou a si, me deixando sem ti.

Eu já perdi a conta de quantas vezes me deitei no meu quarto, me encolhendo da tanta falta que você faz nos sábados à noite. E nos domingos de tardezinha. Muita coisa parece não mais fazer sentido em mim, nem em você, mas o "nós dois" faz. E muita. E faz falta também.

Você bem que podia voltar. Voltar por inteiro, porque seu sorriso aparece muitas vezes nas lembranças que guardo em mim, no gosto do café, no macio da minha cama e no seu cheiro que ficou exalado no meu coração e só me lembra você, tudo é você. E tudo isso me faz doer.

E você disse que não queria me ver sofrer quando foi embora. Sei que esperava que eu iniciasse um novo capítulo da minha vida, mas tenho lido e relido aquelas últimas palavras que ficaram na minha cabeça quando você disse adeus. E nunca mais voltou.

Eu me pego te esperando às vezes nos sábados. Lembro que deitava com o notebook aberto pra ver algumas séries até que você chegasse aqui em casa. Quando chegava, assistíamos um filme com pipoca e guaraná e saíamos pra lanchar. E agora os episódios passam e você não chega. Não chega.

Nem queria estar te esperando. Mas, contraditoriamente, queria que você voltasse. 

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