A plateia das minhas lágrimas


Eu estava chorando e me perguntaram: por que você está querendo plateia agora?

Me senti vazia. Eu não queria plateia. No máximo, que alguém me entendesse, ao invés de criticar. Ao invés de perguntar por que eu queria plateia. No máximo, alguém que percebesse que era só mais uma injustiça da vida.

Às vezes a gente acha que é tudo exagero alheio. Mas ninguém sabe o que se passa na cabeça de uma pessoa. Ninguém sabe se aquela piada não foi somente uma piada. Ninguém sabe se aquele olhar de indiferença significou muito além. Ninguém sabe se a plateia, era na verdade, apenas um ouvido que faltava. E ele estava ali. E aquilo bastava. Mas tinha alguém que perguntasse se o que faltava era uma plateia.

Quero dizer que nunca quis plateia. Especialmente porque quando a gente dá um show, espera atender às expectativas da plateia. Aprendi que viver bem é viver sob as próprias expectativas. Lidar com as próprias frustrações e fracassos.

Acho que essa é a minha plateia: sentado, me encarando, está cada um dos meus erros. Está cada uma das minhas frustrações. Está minha pequenez. Meu fracasso. Minha fraqueza. É difícil ter que lidar com isso e ao mesmo tempo pessoas que questionem a sua arte. Sua arte de chorar.

O mundo está tão insensível que ver alguém chorando por aí é difícil. Difícil porque a gente fica sem saber o que fazer mesmo. E o que vem à cabeça no pânico da escassez de agir é perguntar: por que você está querendo plateia agora?

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários sujeitos a moderação.
Será excluído qualquer comentário que declare preconceito ou que seja ofensivo e pejorativo.

CF/88: Art. 5°, IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

Camille Reis. Todos os direitos reservados.©
Design e codificação por Sofisticado Design