Para de fazer selfie, olha pra mim



Para de fazer selfie, olha pra mim. Disse Claudia Leitte a uma fã, no meio de um show. Meio assustador né?

Se tem uma coisa que me irrita nas histórias do instagram é vídeo de gente que se filma cantando música em show. Gente, que saco! Eu tô de boa vendo as histórias, e do nada vem aquele vídeo estrondoso de um ser humano, que no meio de um show, sequer está curtindo o momento, nem mesmo está registrando ele - só tá se registrando (um pouco narcisista, não?).  E ai faz da mão ou do copo microfone e aponta o dedo pra câmera no ritmo da música.

Mas sem querer fazer disso aqui uma simples crítica, lembrei que há duas semanas fui para uma festa e tinham milhares de pessoas fazendo isso. Eu vi, e vi que ninguém tava tão aí pra banda ou o momento, mas tinham vários grupos de olho na tela do telefone que os filmava cantando.

Eu sei que já falei muito dos impactos da tecnologia e das redes sociais nas nossas vidas, mas a cada dia que passa surgem novos temas e polêmicas, é um assunto inesgotável pra se falar.

É absurdo, mas me parece que nossa vida nas redes sociais se tornou muito mais importante do que nossa vida social fora da internet. E com essa importância, a gente desenvolveu uma necessidade de registrar tudo o que acontece de bom no nosso dia-a-dia e ainda aumentar um pouquinho outras coisas que a gente vive. Certamente que como tudo ficou mais visual, as fotos e vídeos ganharam espaço nesse cenário e se tornaram a forma mais popular de comunicação, então a gente se esforça pra abir a câmera do celular rapidinho e registrar o momento.

Mas tudo bem, não tem problema querer tirar fotos e depois lembrar, mas isso se tornou uma obsessão, uma verdadeira prioridade. Afinal, a gente ta vivendo pra gente ou para os outros? Ou melhor, a gente ta vivendo pra viver ou pra registrar?

Esse mês, em um show da Claudia Leitte, uma fã que subiu no palco e teve contato direto com a cantora levou foi um sermão (bem dado), por conta da sua necessidade de tirar mil fotos para registrar o momento. O comportamento da menina chega a ser ridículo no vídeo; a cantora fala com ela, mas a jovem parece só estar preocupada com o telefone. Claudinha chega a puxar o celular da mão da menina, e fala pra ela:

“Sempre que você tiver um momento especial na sua vida, se concentre nele. [...] Olha pra mim, me dá o celular. Quando você viver uma coisa muito especial na sua vida, você me promete que você não vai ficar só no celular tirando foto. Você vai viver isso.  promete? Quando você arranjar um namorado você vai beijar. Quando você encontrar sua mãe em casa você vai abraçar sua mãe. E quando você fizer qualquer coisa muito especial você precisa primeiro guardar no seu coração. Eu fiquei buscando seu olho, você estava olhando pra esse negócio aqui.”

Embora a situação pareça ser um pouco extrema, e a gente jure de pé junto que no lugar da menina faria diferente, é bom parar pra refletir quantos momentos a gente desperdiça se isolando no mundo virtual. É tanta vontade de registrar, postar, compartilhar, mostrar para os outros tudo aquilo que a gente vive, que esquecemos de realmente viver, saboreando cada segundo da vida.

E então as memórias que termos dos momentos se limitarão as nossas fotos. Porque não fica na gente os detalhes do viver, fica só aquilo que a câmera consegue capitar. Claro, não vou negar que as redes sociais são muito importantes para nossa vida em sociedade, mas jamais podemos esquecer que deve ser um complemento (como sempre digo, né?), não uma substituição ao olho no olho.


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