Como encontrei minha paz


Não vou me trocar por você. Apesar da pouca idade, já vivi o suficiente para aprender que não existe outra de mim por ai, e que se eu me perder é difícil de reencontrar. Já passei por uns bocados até perceber que o que eu tenho dentro de mim vale mais do qualquer coisa que possa existir fora de mim, inclusive a sua companhia.

Por um tempo, você roubou minha paz. Disse que foi em busca da sua. Mal sabia você, que a paz não é um destino que a gente aceita o desafio de procurar; mas você embarcou em uma longa jornada para o lado oposto que eu estava, jurando que o problema era eu. Por um tempo você me fez acreditar nisso.

De repente sozinha, me vi diante do contorno da vida. Era a beira da estarda, a linha tênue entre a tristeza e a saudade. E saudade vem de coisa boa, mas o que você fez não foi bom, então eu não entendia a razão das minhas lágrimas, mas queria que você voltasse.

Aos poucos, a inquietude tomou conta de mim. Era tão difícil que eu cheguei a achar que você tinha levado um pedaço de mim embora. E quando eu quase me perdia, eu acordei e me dei conta de que a diferença entre um sonho e um pesadelo é só o final. Simples assim. O jeito que as coisas acabam, ou melhor, o jeito que nós permitimos que as coisas acabem dentro de nós. E é preciso que permitamos o fim - antes do nosso fim.

Então decidi: a paz é minha. E sendo minha, ela sim faz parte de mim, não de você. Então você não tinha levado minha paz, muito menos um pedaço de mim; eu estava inteira, só um pouco machucada. Levantei, coloquei remédio e a oração me ajudou a me amar.

Amar não de me achar linda e manter uma auto-estima, mas de conhecer e valorizar minha essência. Sempre me disseram que a gente só ama aquilo que a gente conhece e, assim chego a conclusão de que o amor verdadeiro por si mesmo somente é vivido a partir do momento que criamos intimidade conosco.

Conhecer-se é essencial pra se amar. Conhecer-se é essencial  pra se envolver com as pessoas sem abrir mão do "eu" ou do amor próprio. Lidar com o outro é estar vulnerável à alegrias e decepções; lidar consigo mesmo é manter a paz diante das alegrias e decepções. É certo que jamais poderemos controlar as atitudes e pensamentos das pessoas, mas fundamental é saber administrar, ou melhor, educar nossos pensamentos e sentimentos diante de si do outro.

Sendo assim e, sendo você alguém que já não me faz bem, escolho manter-me indiferente diante da sua presença e das suas atitudes. Quem não vive em paz tende a contaminar àqueles que buscam a paz. Mas quem em si encontrou sua paz não se permite ser contagiado. Não perca seu tempo aqui.

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